Descobertas sete "Terras" num sistema solar distante

A maioria destes novos mundos serão rochosos e pelos menos três deverão ter oceanos de água líquida e, quem sabe, talvez vida

A descoberta é anunciada como sensacional: são sete "Terras" duma vez, em torno de uma única estrela, todas com as dimensões aproximadas do original - o nosso próprio mundo -, e tudo indica que a maioria desses exoplanetas é de natureza rochosa (como o original), e três pelo menos terão oceanos de água líquida na superfície. Ou seja, têm as condições certas para a possibilidade de lá existir vida.

Neste momento é impossível dizer se haverá vida nalgum destes novos mundos, que estão na órbita de uma estrela chamada Trappist-1 (o nome é o do telescópio do ESO, instalado no Chile, que permitiu fazer a descoberta), a cerca de 40 anos-luz de distância daqui. Mas para os cientistas, a descoberta deste verdadeiro jackpot planetário vem também confirmar uma coisa essencial: os planetas idênticos à Terra serão a regra, e não a exceção, na órbita das estrelas da Via Láctea. E a vida, provavelmente, também.

A descoberta, que a NASA está hoje a anunciar em conferência de imprensa, e que é publicada amanhã na revista Nature, foi feita por uma equipa internacional de cientistas, coordenada por Michaël Gillon, do Instituto de Astrofísica e de Geofísica da Universidade de Liège, na Bélgica. O grupo, que inclui também a investigadora portuguesa Catarina Fernandes, utilizou as observações de uma série de telescópios para identificar esta nova mão-cheia de "Terras" e as estudar com o maior detalhe possível.

Integrada no grupo de Michaël Gillon, na Universidade de Liège, Catarina Fernandes, participou nas observações para determinar o período orbital de um destes sete novos exoplanetas. Para a cientista portuguesa, trata-se de uma descoberta importante. "Esta é a primeira vez que se deteta um sistema solar com tão grande número de planetas semelhantes às Terra, tanto em tamanho e na temperatura, e pelo menos três deles podem ter água na sua superfície", afirmou ao DN, em entrevista telefónica.

Além do Trappist, e do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul ( ESO), a equipa utilizou mais um outro telescópio terrestre, o Liverpool Telescope, e ainda o telescópio espacial Spitzer, da NASA.Daí, a conferência de imprensa da agência espacial americana. Ao seu habitual jeito, a NASA acaba por ter aqui também uma oportunidade de marcar pontos a seu próprio favor, e das ciências do espaço, nesta nova era Trump, em que os cientistas dos Estados Unidos se mostram preocupados com o futuro.

A estrela Trappist 1 (foi a primeira descoberta com aquele telescópio) não é uma estrela como Sol. É mais fria e tem uma luminosidade cerca de mil vezes mais fraca e a temperatura no seu núcleo é apenas a suficiente para que funcione como uma estrela, convertendo no seu processo de fusão o hidrogénio em hélio. As estrelas como esta são as chamadas anãs-vermelhas e são de longe as mais numerosas na Via Láctea: são cerca de 80% de todas as estrelas. E esse é outro motivo porque esta é uma descoberta sensacional: um sistema solar em torno de uma anã-vermelha, com sete planetas como a Terra, que são outros tantos mundos onde a vida é uma possibilidade real, aponta para que as Terras serão muito mais numerosas na Via Láctea e no Universo, do que alguma vez se sonhou.

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