Açores começaram a sentir efeitos do furacão no fim da noite

Imagem do 'Alex' divulgada esta quinta-feira pela NASA

Eram zero horas no arquipélago quando os primeiros ventos do 'Alex' se começaram a fazer sentir. Creches, escolas e tribunais não abrem hoje

Como previsto: os efeitos do furacão 'Alex' começaram a ser sentidos nos Açores logo à meia-noite (mais uma hora em Lisboa), com o aumento gradual do vento e chuva nos grupos central e oriental do arquipélago.

"Apesar de ainda não ser com a gravidade prevista, começa a sentir-se a influência gradual do furacão", adiantou, pelas 00:00 locais, a meteorologista da delegação regional dos Açores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Vanda Costa.

Em declarações à Lusa, a especialista esclareceu que, a essa hora, o furacão estava a cerca de 500 quilómetros a sul da ilha do Faial, devendo atingir o grupo central (Graciosa, Faial, Pico, São Jorge e Terceira) durante a manhã.

"Durante a manhã de sexta-feira, o centro do furacão vai passar sobre as ilhas do grupo central, mas não é possível prever qual a ilha que será mais afetada, dado que, como todas as previsões, há sempre um grau de incerteza sobre a sua direção", afirmara esta quinta-feira Vanda Costa.

O Governo Regional dos Açores recomendou o encerramento de todos os jardins-de-infância e creches das ilhas dos grupos central e oriental na sexta-feira devido ao agravamento do estado do tempo. "Por precaução, é igualmente recomendado o encerramento dos centros de atividades de tempos livres, dos centros de atividades ocupacionais e dos centros de dia", adianta um comunicado.

Também a companhia aérea SATA cancelou todos os voos programados para a manhã deste dia.

Ventos de 170 quilómetros/hora

O IPMA atualizou o aviso vermelho para os Açores, prevendo que as rajadas de vento possam atingir 170 quilómetros/hora e o mar tenha ondas da ordem dos 14 metros, que podem chegar aos 18 metros, no grupo central do arquipélago.

Segundo o IPMA, para as cinco ilhas deste grupo (Graciosa, Pico, Terceira, São Jorge e Faial) o aviso vermelho para chuva vigora entre as 02:00 e as 14:00 de sexta-feira (mais uma hora em Lisboa), enquanto o mesmo aviso para o mar mantém-se entre as 05:00 e as 15:00.

O mesmo aviso vermelho, o mais grave numa escala de quatro, mas para o vento está em vigor entre as 05:00 e as 14:00 de sexta-feira no mesmo grupo.

Para o grupo oriental (São Miguel e Santa Maria) foi também emitido um aviso vermelho para chuva entre as 02:00 e as 14:00 de sexta-feira e para vento, esperando-se nestas ilhas rajadas até 130 quilómetros/hora entre as 05:00 e as 13:00.

O mais grave de uma escala de quatro, o aviso vermelho é dado quando há uma situação meteorológica de risco extremo, neste caso a passagem do Alex, o primeiro furacão a formar-se em janeiro no Atlântico desde 1938, o primeiro a ocorrer neste mês desde o Alice, em 1955, e a quarta tempestade a formar-se nesse mês desde que há registos, em 1851, de acordo com o National Hurricane Center.

De acordo com o jornal Washington Post, estas tempestades tropicais só costumam ocorrer a partir de julho. No ano passado, a tempestade Ana, classificada como subtropical, formou-se a 7 de maio. E, historicamente, apenas 0,5% das tempestades tropicais se formaram antes do dia 1 de Junho.

O Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores já emitiu um alerta e recomendou a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas e a retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento, bem como a adequada fixação de estruturas soltas, como andaimes ou placards e outras estruturas montadas ou suspensas.

A Proteção Civil açoriana aconselha também a manter limpos os sistemas de drenagem e a consolidar telhados, portas e janelas, devendo a população ter especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas, não devendo praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar.

Voos cancelados no dia anterior

Já na manhã desta quinta-feira, a transportadora aérea SATA cancelou dois voos entre as ilhas Terceira e São Jorge, devido ao mau tempo nos Açores, deixando em terra 150 passageiros, disse à Lusa o porta-voz da companhia.

António Portugal acrescentou que "os 150 passageiros das ligações Terceira/São Jorge/Terceira serão reacomodados em voos de sexta-feira".

Além das ligações aéreas, as condições meteorológicas estão também a afetar os transportes marítimos, mantendo-se encerrados a toda a navegação os portos da Casa, na ilha do Corvo, e o de Santa Cruz, na ilha das Flores, confirmou à Lusa o comandante do Porto da Horta, Diogo Vieira Branco, acrescentando que a autoridade marítima "mantém o acompanhamento da situação".

Bombeiros de sete ilhas de prevenção

O presidente do Serviço Regional da Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) afirmou que todas as corporações dos grupos central e oriental estão de prevenção, deixando um alerta sobretudo para a agitação marítima na madrugada.

"Já foram colocados a par da situação todos os agentes de Proteção Civil da Região Autónoma dos Açores, sobretudo os 14 corpos de bombeiros dos grupos central e oriental, e os respetivos serviços municipais de Proteção Civil", adiantou o capitão José Dias, presidente do SRPCBA, numa conferência de imprensa em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

Segundo o presidente da Proteção Civil, não há zonas em particular nos Açores que mereçam destaque, mas a saturação dos solos devido à precipitação também é motivo de alerta: "Não podemos descurar toda a precipitação que ocorreu nos dias anteriores e que, de alguma forma, faz com que haja alguma saturação dos solos e que a precipitação que nós prevemos que possa acontecer possa trazer alguma fragilização às mesmas."

(Notícia atualizada às 01:50)

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