O comandante dos bombeiros voluntários de Pedrógão Grande, Augusto Arnault, garantiu ontem ao DN que a GNR chegou a cortar a EN 236-1, a estrada onde a maioria das vítimas do incêndio de dia 17 perdeu a vida. "A Guarda foi chamada de imediato, assim que tivemos o alerta de incêndio. Eles estiveram sempre no terreno, e chegaram mesmo a cortar a estrada a determinada altura", aponta aquele operacional. O presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), César Nogueira, desconhece "quem é que fez o contacto para o posto da GNR", mas confirma que "mal receberam o contacto estavam na rua e correram para o local", lamentando a falta de meios no terreno. "Certamente que tiveram de cortar estradas... só que, numa primeira fase, eram só dois militares, até que chegassem reforços"..Mais de uma semana depois dos incêndios que assolaram o Norte do distrito de Leiria, vitimando 64 pessoas, aquele responsável veio a público lembrar que Constança Urbano de Sousa (que determinou a abertura de um inquérito) "sabe das falhas que existem, que não há efetivos, que não temos meios e nada fez até agora. A única medida foi fechar as messes, que é uma gota no oceano, e não libertou quase profissionais nenhuns". Numa entrevista à TSF, na manhã de ontem, César Nogueira sublinhava que a estrada 236 não fora cortada por falta de informação. E de meios. Mais tarde, explicou ao DN que, àquela hora, havia, nos três concelhos, uma patrulha de dois homens em cada..Porém, a falta de meios nos postos da GNR não é de agora. No conjunto daqueles três concelhos do interior, cada posto conta apenas com 15 elementos. "Não é de agora, mas é lógico que quando acontece uma situação tão trágica nota-se logo mais essa falta de meios, porque numa primeira intervenção são os meios disponíveis e mais próximos que vão para o local. Nós temos deixado que se façam todos os inquéritos, mas há coisas que não podemos permitir, porque também fazemos o nosso trabalho no terreno, com os profissionais que lá estiveram.".As patrulhas da GNR são habitualmente compostas por dois homens de cada posto, mas "nem sempre é assim. Por vezes fazem até complemento de postos: um homem de cada posto, e faz-se uma patrulha para dois concelhos". Naquele dia, porém, estavam dois homens em cada um dos postos. Mais um que fazia (como de costume) o serviço de atendimento. É um número "manifestamente insuficiente para uma situação daquelas", sustenta César Nogueira, que não sabe precisar durante quanto tempo estiveram assim, até chegarem reforços ao terreno. Contudo, há uma ressalva que faz, à partida: "É preciso saber que quem comandava as operações, quem podia cortar as estradas, não era a GNR. Era a Autoridade Nacional da Proteção Civil. A GNR só fez aquilo que lhe pediram para fazer." Ou talvez mais do que isso, acredita. Afinal, havia profissionais de folga que foram "de livre e espontânea vontade para o posto, ajudar. Vestiram um colete e pronto. E isso nós não vemos em lado nenhum, só vemos o governo a culpar os guardas, parece que foram eles os culpados"..O Comando Geral da GNR considerou, numa resposta oficial enviada ao primeiro-ministro, que a EN-236-1( onde morreram 47 pessoas) foi atingida de forma "inesperada e assustadoramente repentina, surpreendendo todos". A GNR assumiu que a EN 236-1 foi indicada como uma alternativa ao IC8 porque não havia "qualquer indicador ou informação" que "apontasse para a existência de um risco potencial ou efetivo".