Autoridades querem sistema antidrones para visita do Papa

Portugal está a analisar a eventual aquisição de um equipamento capaz de anular os sinais de controlo de um drone que ilegalmente sobrevoe Fátima

As autoridades estão a avaliar a utilização de um sistema antidrones durante a visita do Papa Francisco a Portugal, para presidir às cerimónias do centenário dos acontecimentos de Fátima, soube o DN. Os riscos para a segurança do Papa - e de outras altas entidades que visitem o país - associados ao uso de drones está na base dessa avaliação em curso. Esse risco pode vir da utilização por particulares de drones, mas também do seu uso por operadores de televisão ou de elementos com motivações terroristas.

Estando em aberto se o Estado pode alugar ou comprar o equipamento antidrones, da ordem das muitas centenas de milhares de euros, desconhece-se ainda qual a entidade - GNR, PSP, Autoridade Aeronáutica Nacional (AAN) - que irá ficar com a gestão e operação, segundo disseram ao DN diferentes fontes com conhecimento do dossiê.

"A utilização de drones está proibida, como decorre da legislação em vigor", limitou-se a dizer ao DN o major Bruno Marques, porta-voz da GNR. Esta força de segurança tem a seu cargo a responsabilidade de toda a área de Monte Real - em cuja base aérea vai aterrar o avião papal - e de Fátima, mas escusou-se a adiantar pormenores sobre o que está em análise nessa matéria.

No caso dos drones, o que está em causa é a possibilidade de se utilizarem meios para empastelar o sinal dos equipamentos com que os operadores daqueles aparelhos os controlam e guiam, explicou uma das fontes.

O Papa Francisco chega a Portugal na tarde do dia 12 de maio, para uma estada de dois dias que o Vaticano entende ser de natureza pastoral, mas a que Portugal pretende dar um tom político de visita oficial - o que, admitiram diferentes fontes ao DN, justifica a incerteza sobre vários aspetos ainda em negociação: o avião da Alitalia será acompanhado por dois caças F-16 da Força Aérea dentro do espaço aéreo português? Quem irá receber o Papa junto ao avião? Que tipo de honras militares serão prestadas dentro da base ao Sumo Pontífice? Haverá revista às tropas em parada? Que altas individualidades ali estarão para o cumprimentar?

Note-se que deverá haver reserva de espaço aéreo em Lisboa, no dia 12, para garantir que o avião papal ali possa aterrar em alternativa caso o mau tempo inviabilize Monte Real.

Ainda sem decisões tomadas, num processo coordenado a nível político pelo ministro adjunto, Eduardo Cabrita, é dado como certo que o Presidente da República irá ter um encontro com o Papa dentro da base - em cuja capela já estiveram João Paulo II e Bento XVI. Certo é que caberá à GNR vistoriar, dentro da base de Monte Real, as sete dezenas de pessoas - na maioria jornalistas - que acompanham a comitiva papal, bem como as respetivas malas e material. Para o efeito serão instaladas naquela unidade militar máquinas e pórticos a ceder pela ANA, que são comuns nos aeroportos civis. Um ponto que também está por decidir, segundo as fontes do DN, reside no uso de helicópteros particulares por uma ou mais estações televisivas. Existe a possibilidade de ser utilizado um aparelho da Força Aérea equipado com câmaras, admitiu uma das fontes.

A GNR terá também a seu cargo as escoltas e a segurança dos percursos, nomeadamente durante o regresso do Papa a Monte Real, no dia 13, pois a viagem a partir da Cova da Iria será feita por estrada.

A nível militar, como é norma, está a circular uma proposta de diretiva do Estado-Maior-General das Forças Armadas, que depois de aprovada dará origem a diretivas dos ramos envolvidos e respetivas ordens de operações. A Força Aérea será o ramo militar mais diretamente envolvido, cabendo-lhe enviar a Itália uma aeronave C-130 para transportar o papamóvel e um pequeno carro elétrico. Será ainda num helicóptero EH101 que o Papa Francisco irá de Monte Real para Fátima, onde aterrará num campo de futebol.

Protocolo das visitas de Estado

O Vaticano entende ser de natureza pastoral a presença de Francisco em Fátima, o que faz diferença relativamente ao procedimentos a tomar pelo Estado. Nas visitas oficiais e de Estado a Portugal o protocolo começa no aeroporto de Lisboa, com a prestação de honras militares. Segue-se a deposição de uma coroa de flores junto ao túmulo de Camões, no Mosteiro dos Jerónimos, e a ida ao Palácio de Belém, onde tocam os hinos, trocam-se presentes e é assinado o livro de honra. O banquete no Palácio da Ajuda é outro momento tradicional.

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