15 mil portugueses regressaram. E há menos gente a deixar o país

Menos emigrantes e mais imigrantes, o que é positivo para a evolução da população portuguesa. Apesar disso, é difícil nas próximas décadas inverter a tendência de diminuição de residentes no país. Saldo continua negativo

Trinta mil pessoas quiseram vir morar para Portugal no ano passado e 15 mil são portugueses que regressaram. Ao mesmo tempo, há menos habitantes a deixar o país, dizem os dados demográficas do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem divulgados. O que demonstra, segundo os demógrafos, que há uma nova esperança relativamente à situação económica.

As estatísticas demográficas sublinham o decréscimo de emigrantes (ver infografia), bem como o crescimento da imigração. E indicam o perfil destes 29 896 novos residentes: "51% eram homens; 50% tinham nacionalidade portuguesa; 43% nasceram em Portugal; 55% residiam anteriormente num país da UE; 81% estavam em idade ativa." É que, explica o gabinete de comunicação do INE, imigrante permanente é a "pessoa (nacional ou estrangeira) que entrou no país com a intenção de aqui permanecer por um ou mais anos, tendo residido no estrangeiro por um período contínuo igual ou superior a um ano. E, em 2014, também metade dos que entraram tinham a nacionalidade portuguesa, só que no ano passado vieram mais.

"Há sempre uma parte dos portugueses que regressa, sempre houve alguma rotação. O mercado de trabalho dos emigrantes está marcado por uma certa temporalidade. As pessoas têm um contrato de trabalho de um, dois , três anos e regressam porque, apesar de tudo, têm aqui uma boa base social", justifica Jorge Malheiros, geógrafo especialista em migrações.

Há estrangeiros que, depois de voltar ao seu país, regressaram e fixaram-se em Portugal

E há também estrangeiros que voltaram às origens e que acabaram por se fixar de novo em Portugal, o que é confirmado pelos responsáveis da Casa do Brasil. Anderson Silva, 27 anos, jardineiro, é um desses casos. Deixou o Espírito Santo, no Brasil, tinha 17 anos, para estudar em Lisboa. A vida trocou--lhe as voltas, um problema de equivalências com o qual não contava, e voltou-se para o trabalho. Até que conheceu a mulher, brasileira do mesmo estado, casaram-se e decidiram retornar, até para conhecer as respetivas famílias. Isto em 2013.

"Estive dois anos no Brasil, nunca cheguei a pensar ficar definitivamente, a minha mulher até se chateava. Mas vim para cá com 17 anos, tenho cá os meus amigos, já não me adaptei ao Brasil, até o calor me fazia confusão", conta Anderson.

O jovem tinha aqui tirado a carta de condução e foi motorista no seu país, a mulher também encontrou trabalho, tiveram uma filha. Nada disso evitou o regresso da família a Portugal, no ano passado. Anderson voltou para o mesmo patrão que tinha na zona de Torres Vedras, o que também com a mulher. Tentam, agora, obter uma nova autorização de residência.

Menos saem e mais casam

No ano passado, 40 377 pessoas deixaram Portugal de forma permanente e 530 não eram portugueses, mas aqui viveram mais de um ano. A estes juntam-se 60 826 que emigraram por um período inferior a um ano, os temporários. Em ambos os casos, o número de saídas não só é inferior ao de 2014, como em relação aos três anos anteriores, regressando aos valores de 2011. Mas não se regista a mesma diminuição no grupo etário dos 25 aos 34 anos, que teve um ligeiro aumento.

Outro dado demográfico positivo é o aumento da taxa de natalidade, invertendo a tendência de diminuição, mas também aumentaram as mortes, o que significa que o saldo natural é negativo.

Jorge Malheiros realça alguma inversão no que poderia indiciar um cenário demográfico catastrófico, não se cumprindo as estimativas de que seremos menos de sete milhões daqui a 50 anos. Ainda assim, as melhorias não chegam para evitar que a população portuguesa continue a diminuir nas próximas duas décadas. Aparentemente, essa quebra será mais lenta e até poderá estabilizar. E isto, sublinha Jorge Malheiros, "se conseguirmos melhorar a situação económica e ter uma maior capacidade de atração migratória, porque só assim conseguiremos aumentar a população". O geógrafo acrescenta que as estatísticas do INE demonstram "um ganhar de uma esperança. Há uma perceção da realidade para melhor do que há dois anos, as pessoas têm um pouco mais de crença no futuro do país".

E há mais pessoas a querer dar o nó, mais 915 em 2015 do que em 2014, um pequeno acréscimo - tanto os civis como os católicos -, e que também vai contra a tendência desde 2013, com as uniões oficializadas sempre a diminuir. O que não vai contra a tendência é a idade média do casamento, que continua a subir, acima dos 33 anos. E casaram-se 350 pessoas do mesmo sexo, ligeiramente mais do que em 2014 (308).

E mantêm-se os valores relativos à esperança de vida, acima dos 80 anos, já que as projeções são para o triénio 2013-2015. E se na idade média do casamento eles casam-se mais tarde do que elas, já no que diz respeito à morte elas têm maior longevidade.

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