Um apreciador dos prazeres da vida

"Bon vivant". O antigo presidente tinha fama de ser um apreciador dos prazeres da vida, como mostram estes excertos de obras sobre Soares
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"Até aos 20 e tal anos, (...) desconhecia o prazer da mesa", admitia a Maria João Avillez. "O Manuel Mendes ["ajudante-conspirador" do pai e uma "espécie de irmão mais velho"] descobria as velhas tascas dos galegos onde se comiam os melhores pratos e os bons petiscos: os jaquinzinhos, os mexilhões, os bons peixes e mariscos, as açordas, o arroz no forno, as iscas, a orelheira de porco" (Ditadura e Revolução).

Leitor que juntou 60 mil títulos e cinéfilo de paixão, Mário Soares "gosta de ver o mar, gosta de mulheres bonitas (...), gosta de comer bem, gosta de uma boa conversa, gosta de rir", garantia o seu assessor cultural em Belém, José Manuel dos Santos (Marketing Político, de Margarida Ruas dos Santos).

"Eu já o vi em situações em que qualquer outro político (...) ficaria ridicularizado, (...) [com] episódios engraçados como o daquela vez em que se enganou e beijou um anão convencido que era uma criança" (ibidem). Ou no teatro, quando a atriz brasileira Fernanda Montenegro interpretava a peça de Beckett Dias Felizes e, notou José Manuel Homem de Mello, houve "quem tivesse ficado ailleurs - como o Presidente Mário Soares, que "cochilou" praticamente o tempo todo" (Páginas do Meu Diário).

A Maria João Avillez declarava que, "sinceramente, penso que [a vaidade] não é o meu principal defeito", embora admitisse gostar de "uma linda gravata" ou "um fato com corte especial" (idem). Além da "paixão imoderada" pelos chapéus, pois, frisou António-Pedro Vasconcelos, "Soares sabia, por instinto, que, no imaginário popular, a coroa é ainda, de Mobutu à rainha de Inglaterra, o símbolo do poder, sagrado e inviolável" (O Presidente de Todos os Portugueses).

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