"Vamos criar uma "loja do cidadão" dedicada só aos funcionários da EMA"

A candidatura de Portugal a sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA) foi entregue ontem. São 22 cidades candidatas, entre elas o Porto
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Um dossiê com mais de 100 páginas, coordenado pelo Ministério da Saúde e acompanhado de perto pelo primeiro-ministro. São 22 cidades candidatas, entre elas o Porto, cidade escolhida há cerca de duas semanas, depois de uma polémica envolvendo a capital. Eurico Castro Alves, um dos coordenadores da candidatura portuense e membro da Comissão Nacional de Candidatura, fala ao DN da nossa proposta.

Qual o local que estamos a apresentar para ser sede da EMA?

São três hipóteses de edifício já construídos: um na praça D. João I - o Palácio do Atlântico -, outro na Avenida Camilo e o outro é o antigo Palácio dos Correios. Qualquer um deles ultrapassa as necessidades expressas no caderno de encargos. Em novembro é tomada a decisão por votação. Temos o plano pronto e se ganharmos, em poucos dias, poucas semanas, terão início as obras de adaptação que em nove meses ficam prontas, seja qual for a opção. Temos ainda na manga, como opção mais para frente, a construção de um edifício de raiz à medida das necessidades.

O que oferecemos para receber um staff de quase 900 pessoas, 650 crianças e inúmeros peritos?

Espaço para alocar os serviços da agência está perfeitamente resolvido. A nossa capacidade hoteleira é mais do que suficiente. Temos um conjunto de escolas bilingues francês, inglês, alemão. Reunimos com todas as escolas no sentido de garantir que ficam garantidas as condições para alocar as cerca de 650 crianças, que estão em diferentes níveis de escolaridade. Identificámos perto de 700 cursos ao nível do ensino superior que são ministrados em inglês. Isso consta da nossa candidatura. Além de preenchermos todas as condições técnicas, temos um país extremamente acolhedor, bem organizado, de pessoas hospitaleiras.

O que tem a nossa candidatura direcionado para os funcionários?

Criámos um balcão de acolhimento local que trata de todos os problemas logísticos e domésticos das famílias. No sentido de arranjar o colégio e as matrículas para as crianças, de tratar de todas as questões de legalizações e burocracias, aluguer ou compra de casa e inclusivamente um serviço de concierge de saúde. Qualquer problema de ordem médica que tenham, além de tratar imediatamente da inscrição no sistema nacional de saúde, temos um acompanhamento personalizado para encontrar as soluções para essas pessoas. Vão ter um número de telefone disponível 24 horas e sempre que necessitarem de algum apoio na saúde, ligam e temos alguém que fala inglês que os orienta e acompanha nos casos que justifique. É um serviço inovador que não acredito que mais nenhuma candidatura ofereça. Vamos criar uma espécie de "loja do cidadão" dedicada só aos funcionários da EMA.

O SNS está capaz de ser um bom espelho do que Portugal pode oferecer?

Temos um dos melhores serviços de saúde do mundo e está perfeitamente capaz de acolher e tratar bem essas pessoas. A existência do nosso sistema nacional de saúde - incluindo público, privado e setor social - é se calhar um dos fatores diferenciadores a nosso favor.

Como será a política de apresentação do Porto?

Vamos desenvolver múltiplas ações até à decisão. No início de setembro vai ter lugar no Porto a Red Bull Air Race e o presidente da Câmara já convidou todos os embaixadores da União Europeia para estarem presentes nesse dia em que vai apresentar o projeto da EMA e solicitar, dentro do possível, o apoio de todos os países. Estamos a tratar de arranjar o enquadramento legal e logístico para poder convidar todos os funcionários da EMA a virem passar dois ou três dias no Porto. Temos também ações em Bruxelas, não só junto dos nossos parlamentares, mas também de todas as forças que possam vir a ter influência na decisão. E contactos diretos com funcionários da EMA, nomeadamente os perto de 40 portugueses que lá estão e a quem queremos pedir o contributo e ajuda.

A indefinição da cidade pode ter prejudicado a candidatura portuguesa?

Não considero uma fragilidade. Acho que seria se não tivéssemos sabido ultrapassar as questões técnicas. Isto é uma corrida de fundo que termina em novembro. Temos muito tempo à nossa frente. A única coisa que nos pode fragilizar é não estarmos unidos em torno de uma candidatura que é nacional. O que não acredito que aconteça.

Quem serão os nossos maiores adversários?

Temos de olhar para todos com o mesmo cuidado. Evidentemente que os nossos grandes adversários são os países maiores, com grande poder de influência.

Que países podem ser nossos aliados?

Há desde logo os seis ou sete que não têm candidatura própria e com os quais podemos interagir. Cada país vota em três, com um, dois e três pontos. Temos de ir à procura dos dois pontos. Sabemos que cada país vai dar a si próprio os três pontos. O voto é secreto o que é para nós uma mais valia. Vamos ter reuniões nos próximos dias para maturar ações.

O que significa ter a EMA em Portugal?

Há ganhos enormes e não sei se serão totalmente mensuráveis. Trazer mais de mil pessoas para viver para uma cidade, só isso já isso é importante. Juntamente com a EMA, vem um conjunto de empresas que põe escritórios na área de influência, reuniões que passam a acontecer naquele país e o reconhecimento da importância política do país.

Perfil

Nasceu no Porto em 1961.

Licenciado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Especialidade em Cirurgia Geral.

Foi secretário de Estado da saúde do último governo PSD [antes de António Costa assumir a governação] e já tinha sido presidente da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed). Entre 2005 e 2012 esteve na Entidade Reguladora da Saúde.

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