Portugal importava de Espanha cinco milhões de euros por ano em radiofármacos, segundo os números do Tribunal de Contas. Agora essa dependência acabou graças ao trabalho da equipa de Antero Abrunhosa. Os investigadores que trabalham no Laboratório de Radioquímica do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) conseguiram desenvolver os radiofármacos usados em Portugal para a deteção de cancros, uma "atividade que começou há quatro anos". Neste momento, estão a aguardar autorização do Infarmed para mais um (cada um deteta cancros diferentes)..Os radiofármacos são também muito sensíveis: "Só vivem 12 horas. Levantamo-nos à uma da manhã e às sete estamos a distribuí-los para todo o país." Esta foi a primeira empresa que a Universidade de Coimbra (UC) criou, aponta Antero Abrunhosa, e tem sido gerida pelos investigadores e responsáveis da universidade. Isto tudo não os impediu de fazer investigação. "Pelo contrário, contratamos pessoal e conseguimos pagar os contratos de manutenção do equipamento, que só isso custa meio milhão de euros/ano", aponta o responsável pelo projeto e um dos responsáveis pela empresa. Sem, no entanto, esconder que "estes contactos trouxeram novos desafios..Lançámos já uma patente pela UC que tem que ver com uma necessidade. Estamos a responder com inovação e investigação às necessidades do mercado". Sem precisar quanto tem rendido, certo faturam mais de meio milhão por ano. Porém, o investigador garante que como investigador da UC o interesse que tem é que "o sistema seja melhor, mais autónomo. Apesar de ser uma empresa o objetivo não é o lucro".