Caos no aeroporto. Duas horas de espera para entrar em Lisboa

Foto tirada no passado dia cinco de julho, à chegada dos passageiros do voo dos EUA. O cenário é recorrente, conforme atestam outras imagens recebidas pelo DN

A ministra da tutela impôs um tempo máximo de espera 40 minutos no controlo de passageiros, que não é cumprido

Longas e demoradas filas de espera - algumas de duas a três horas, segundo vários testemunhos ouvidos pelo DN - para passar o controlo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) no aeroporto de Lisboa, são o primeiro cartão de visita do país mostrado aos milhares de turistas que ali têm aterrado. A direção do SEF diz que são casos pontuais, mas quem trabalha no terreno diz que o número de funcionários é insuficiente face ao aumento exponencial de visitantes.

As operadoras turísticas já tinham alertado antes do início do verão para a falta de meios do SEF, evidente há vários meses. Com a chegada do verão e novos voos a entrar (EUA, Canadá, China, Togo, Costa do Marfim), o aumento de passageiros em mais de 20% em relação ao verão passado - uma tendência que se tem verificado nos últimos anos (ver infografia) - o cenário agravou-se. "A situação está muito pior", avança Acácio Pereira o presidente do Sindicato da Carreira de Inspeção e Fiscalização do SEF. Em maio último, numa conferência organizada por esta estrutura sindical, o já constatado caos nas chegadas do aeroporto Humberto Delgado foi tema de debate, com Francisco Calheiros, da Confederação do Turismo Português (CTP) a classificar a situação de "intolerável".

Contactado agora pelo DN este responsável, que acompanha de perto os fluxos turísticos, afirma que "o balanço está longe de ser positivo". Diz que a CTP foi informada "de que foram recrutados novos funcionários, mas a medida não está a produzir resultados satisfatórios". Lembra que "é preciso ter em conta que o fluxo de chegadas fora do Espaço Schengen está a aumentar - estamos na época alta e o mercado dos EUA está a crescer - e a tendência é para incrementar os movimentos com as novas rotas para a China". Considera "prioritário encontrar uma solução urgente" e conta que os turistas estão a reagir mal: "Ninguém gosta de, depois de uma viagem longa e cansativa, ficar retido no aeroporto durante duas horas. É preciso não esquecer que o Turismo vive de experiências e esta não é a seguramente a melhor para quem nos visita".

Acácio Pereira reitera o que tem vindo a defender nos últimos meses: "é necessária a admissão urgente de 200 novos inspetores para reforçar, não só o aeroporto de Lisboa, como também outras áreas sensíveis como a investigação criminal". Como solução de recurso a direção do SEF destacou para o aeroporto os 45 estagiários, que ainda não completaram o curso, mas, garante o sindicato, "a sua presença pouco adianta pois não têm ainda competências atribuída".

No início do ano, em janeiro, a ministra Constança Urbano de Sousa definiu os "Objetivos Estratégicos do ministério da Administração Interna 2017/2019" e uma das "metas operacionais" do SEF para este ano é "fixar em menos de 40 minutos o tempo máximo de espera de processamento no controlo de fronteiras". Questionada sobre o ponto de situação nesta altura, quando já passou mais de metade do ano, o gabinete da governante remeteu "o balanço" para agosto.

A direção do SEF diz que "presentemente tem cerca de 230 elementos a efetuar o controlo da fronteira neste aeroporto, no ano passado eram 150 e no verão 195". Se descontarmos aos 230 os 45 estagiários, ficam 185, menos 10 que em 2016. Por outro lado, o SEF refuta a ideia de que as demoras e longas filas sejam um padrão. Desde início do ano, alega fonte oficial, "houve apenas 7 ocasiões pontuais em que o tempo médio de espera ultrapassou as duas horas. Registaram-se muitos dias em que o tempo médio de espera foi inferior a 40 minutos". Numa posição contracorrente conclui: "o SEF tem vindo a corresponder ao aumento do tráfego aéreo e do fluxo de passageiros verificado, cumprindo a missão que lhe está confiada enquanto serviço de segurança". E revela que pediu, de facto, um concurso para 200 novos inspetores, que aguarda autorização das Finanças.

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