PS governará "sem dramas" com a esquerda. E "por quatro anos"

O presidente do Partido Socialista, Carlos César e Ana Catarina Mendes

No fecho das jornadas parlamentares, sem António Costa, coube a Ana Catarina Mendes e a Santos Silva o elogio da diferença à esquerda e os ataques à direita

Com António Costa sem conseguir chegar a tempo de participar no encerramento das jornadas parlamentares do PS, que se realizaram esta sexta-feira e sábado em Vila Real, coube aos seus "números dois" no partido e no governo fazer as vezes do secretário-geral socialista e primeiro-ministro.

Ana Catarina Mendes, a secretária-geral adjunta socialista, e Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, deixaram profissões de fé na atuação do executivo e duras críticas ao PSD. Como pano de fundo, recordaram os oradores, o debate na generalidade que tem lugar já na segunda e terça-feiras no Parlamento.

A deputada afirmou-se convicta que este governo rosa é para quatro anos, para o tempo de uma legislatura. "Estou absolutamente convencida de que se soubermos governar como até aqui temos governado, acreditem que é por quatro anos, e são quatro anos não porque ganha o PS mas porque ganha Portugal e ganha a democracia portuguesa, porque a estamos a enriquecer", garantiu Ana Catarina Mendes.

Esta garantia foi acompanhada de um discurso que olhou para as bancadas à esquerda do PS, defendendo a marca identitária socialista, mas também a dos outros partidos parlamentares. A relação com o BE, PCP e PEV faz-se, disse, "sem dramas" e "cada partido prosseguirá a sua agenda no que ela não for incompatível com o apoio ao Governo", apontou. Na cabeça de todos estavam as afirmações públicas de bloquistas e comunistas, no dia anterior, sobre a necessidade de renegociar a dívida.

Para a direita, Ana Catarina Mendes reservou um remoque. "O ex-primeiro-ministro deve sofrer de um grande problema de amnésia porque ouvir hoje Passos Coelho reclamar a social-democracia ou reclamar melhores condições de vida para os portugueses seria para rir se não fosse tão trágica a marca de retrocesso social que imprimiu nos últimos quatro anos a Portugal."

Na mesma linha, Augusto Santos Silva questionou "a autoridade" daqueles "que falharam todos os objetivos". Para depois antecipar o que seria o estado do país, se PSD e CDS fossem hoje governo. "Nós sabemos qual seria a proposta de Orçamento para 2016 da direita, se a direita tivesse ganho as eleições. Porque essa proposta de Orçamento decorria inexoravelmente do programa de estabilidade que o anterior Governo apresentou no ano passado."

Mas o Banif também não escapou ao radar do ministro, mesmo que Santos Silva não tenha pronunciado a palavra. "Se a direita continuasse a governar continuaria a haver o teatro de enganos que aquele número a propósito da devolução mirífica da devolução da sobretaxa é exemplo bastante. Se a direita tivesse continuado a governar, nós teríamos mais o pecado por omissão, para dizer o mínimo, que é não olhar a tempo para os problemas do nosso sistema bancário e financeiro, deixando arrastar até a um ponto em que a única solução possível é a intervenção pública e o ónus do custo sobre os contribuintes."

Na última manhã de trabalhos das jornadas parlamentares, os deputados do PS ainda ouviram as explicações dos ministros das Finanças e da Economia sobre o Orçamento do Estado que aí vem. Segunda-feira, o debate ("e nós gostamos do debate", atirou Santos Silva) muda-se para o Parlamento, com a discussão na generalidade da proposta de lei.

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