"Foi sempre o povo a lutar por Portugal. Mesmo quando elites falharam"

Presidente fez discurso curto na cerimónia militar do 10 de Junho com uma viagem pela História do país. Recado à classe política?

Marcelo Rebelo de Sousa não tem dúvidas. Foi o povo português, "sempre o povo", quem resistiu e assumiu um papel determinante quando o curso da História pôs Portugal à prova. No discurso das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, no Terreiro do Paço, em Lisboa, o Presidente da República fez o elogio do povo português, "o povo armado e não armado", que, "nos momentos de crise, quando a pátria é posta à prova", assumiu o "papel determinante".

Numa intervenção inesperadamente curta (durou oito minutos), o Chefe do Estado disse que "Portugal é o seu povo" e fundamentou a posição: "Ele não vacila, não trai, não se conforma, não desiste. A sabedoria, hoje como há nove séculos, reside no povo e Portugal avançou e cresceu sempre que as elites, interpretando a vontade popular, os seus desígnios, as suas aspirações, o guiaram em comunhão plena. Assim, ao longo dos séculos se foi construindo e consolidando a identidade nacional."

Percorrendo alguns dos acontecimentos mais marcantes da nossa História coletiva, desde a fundação com D. Afonso Henriques ao 25 de Abril de 1974 - passando pela restauração da Independência, a resistência às Invasões Francesas ou a Implantação da República -, Marcelo fez uma autêntica ode "ao povo armado e não armado", por oposição à crítica (e ao recado) às elites.

"Foi o povo quem nos momentos de crise soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo. O povo, sempre o povo, a lutar por Portugal, mesmo quando algumas elites ou, melhor, as que como tal se julgavam nos falharam em troca de prebendas vantajosas, de títulos pomposos, de meros ouropéis luzidios, de autocontemplações deslumbradas ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e de decidir com visão e sem preconceitos", atirou diante de vários membros do governo chefiado por António Costa, Pedro Passos Coelho e Assunção Cristas, também ali presentes.

Fazendo a ponte para os tempos que correm, o Presidente - perante uma Praça do Comércio que tinha muitos populares à volta da parada militar - sublinhou que é esse mesmo povo o "garante do nosso desenvolvimento económico, da justiça social, do progresso na educação, na cultura e na ciência, na reconfiguração de Portugal como país de economia europeia, de raiz multicultural, expressão da língua portuguesa, plataforma entre continentes, culturas e civilizações".

Mas Marcelo não deixou nada ao acaso e também enfatizou a importância do local escolhido para o arranque das comemorações desta sexta-feira. "Devemos aos acontecimentos ocorridos neste espaço o que somos hoje e o que fomos sendo desde o século XV", observou, numa alusão a vários acontecimentos, como o encontro de culturas, que ali se verificaram até ao terramoto de 1755. E prosseguiu: "Foi aqui também que demos prova de que somos capazes. Novamente a partir do nada, planeámos, reconstruímos, reerguemo-nos, Lisboa renasceu e esta nova praça tornou-se uma das mais belas da Europa. Mostrámos ao mundo de então de que fibra somos feitos e do que somos capazes".

"Hoje, em 10 de junho de 2016, desta mesma praça, que é símbolo maior do nosso imaginário coletivo, partimos, uma vez mais, rumo ao futuro. Somos portugueses, como sempre, triunfaremos", rematou Marcelo, antes de assistir aos desfiles das forças em parada, naval, motorizado, aéreo e apeado.

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