Marcelo: como o protocolo geriu a falta de uma primeira-dama

Guião da tomada de posse no Parlamento teve de ser alterado para se adaptar à nova realidade conjugal da Presidência. Dia do novo PR vai terminar com um concerto

Quase igual - mas não totalmente igual. Entre a tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa no próximo dia 9 e a mesma cerimónia com Cavaco Silva há dez anos, haverá uma pequena diferença protocolar. A diferença está na primeira--dama - uma "entidade"que agora com Marcelo na chefia do Estado deixará de existir.

Há dez anos o ritual parlamentar da tomada de posse de Cavaco Silva como Presidente da República incluiu no guião um "movimento" que incorporou Maria Cavaco Silva no cerimonial. Já se tinha aliás passado o mesmo noutras tomadas de posse presidenciais anteriores. Um "movimento" quase impercetível mas que estava claramente identificado nesse guião.

O guião previa - e continua a prever - que a certa altura, na tribuna da presidência da Assembleia da República, o Presidente da República eleito e o Presidente da República cessante se sentem respetivamente à direita e à esquerda de Ferro Rodrigues.

Depois o PR eleito lê o juramento constitucional: "Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa." E assinará com Ferro Rodrigues o seu auto de posse e a declaração de compromisso, procedendo-se a seguir a uma troca de posição: Marcelo, agora já PR, assumirá o lugar de Cavaco Silva e este passa para o lugar que era de Marcelo Rebelo de Sousa.

Ora aqui o ritual antigo, do tempo em que existia primeira-dama, previa também uma troca de posições. Sentadas na Tribuna A da sala do plenário, ladeando a mulher do presidente da Assembleia da República, as mulheres do Presidente cessante e do PR eleito também trocavam de posição ao mesmo tempo que os seus maridos faziam o mesmo na tribuna do presidente da AR. Um movimento que existia mas em que ninguém reparava porque nesse momento todos os olhares estavam focados na tribuna da presidência.

Marcelo Rebelo de Sousa sempre disse que consigo na Presidência da República deixaria de existir a figura da primeira-dama. A sua namorada, Rita Amaral Cabral, não faz questão. E assim o Protocolo do Estado teve um problema para resolver. Fê-lo da maneira mais simples do mundo: Maria Cavaco Silva será encaminhada para a Tribuna A, sendo sentada do lado direito de Filomena Aguillar (mulher do presidente da AR) e aí ficará até ao fim da cerimónia, no mesmo sítio, sem trocas de lugares.

Câmara organiza concerto

O dia da posse do PR eleito começará pelas nove da manhã do dia 9 de março e terminará mais de 12 horas depois, com Marcelo, já no pleno exercício dos seus novos poderes, a assistir a um concerto dedicado à juventude na Praça do Município, em Lisboa, organizado pela Câmara Municipal de Lisboa. Estão previstas as participações de José Cid, Paulo de Carvalho, da fadista Mariza - que cantará o hino nacional - e ainda atuações de Anselmo Ralph, HMB e Pedro Abrunhosa.

"Não sei porque fui escolhido. Fiquei incrédulo", disse ao DN um dos artistas, Diogo Piçarra. "Não vejo [o momento] como se fosse político. É mais um momento histórico para mim e nas vidas dos outros artistas. Se fosse um primeiro-ministro seria diferente", acrescentou, dizendo ainda que a sua atuação não implicará nenhum cachet.

Ainda antes do concerto, por volta das 18.00, no Palácio da Ajuda, Marcelo irá condecorar Cavaco Silva com a Ordem da Liberdade. Trata-se de cumprir uma tradição: Jorge Sampaio condecorou Mário Soares quando lhe sucedeu, em 1996, e Cavaco Silva fez o mesmo com Jorge Sampaio, dez anos mais tarde.

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