Paulo Lalanda de Castro detido na Alemanha

Lalanda de Castro demitiu-se ontem da Octapharma na sequência de uma investigação relacionada com o negócio do plasma. Foi detido ontem à noite nos escritórios da empresa em Heidelberg

Paulo Lalanda de Castro, ex-responsável da Octapharma em Portugal, foi detido na quarta-feira na Alemanha, nos escritórios da farmacêutica em Heidelberg, na Alemanha. Em comunicado, a Polícia Judiciária informou que, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, e com a colaboração das autoridades alemãs, "procedeu à detenção de um ex-administrador de uma empresa farmacêutica", acrescentando que o detido está a ser presente às autoridades judiciais daquele país a fim de validarem a detenção e decidirem da entrega às autoridades portuguesas.

Segundo apurou o DN com fonte da PJ, Lalanda de Castro encontra-se no Tribunal da Relação de Heidelberg para que os juízes deem luz verde à sua transferência para Portugal, uma vez que foi detido no âmbito de um mandado de detenção europeu. Em Heidelberg já se encontra uma equipa da Polícia Judiciária que tratará de acompanhar a transferência do ex-responsável, assim que a mesma for validada.

Lalanda de Castro foi detido no âmbito da operação "O Negativo", que levou igualmente à detenção de Luís Cunha Ribeiro, ex-presidente do INEM e da Administração Regional de Saúde de Lisboa, por suspeitas de corrupção passiva. Segundo confirmou esta tarde o DN com fonte da PJ, os outros três arguidos no caso do plasma são os advogados Paulo Farinha Alves e Barros Figueiredo, e Elsa Morgado, da Associação Portuguesa de Hemofilia.

A Polícia Judiciária suspeita que Cunha Ribeiro terá recebido contrapartidas do ex-diretor da Octapharma em Portugal para esta empresa ter o monopólio de fornecimento aos hospitais de plasma e hemoderivados. Lalanda de Castro, por sua vez, é suspeito de corrupção ativa, depois de já ter sido acusado por tráfico de influências nos "vistos gold" e ser arguidos por fraude fiscal na "Operação Marquês".

Ontem, quarta-feira, Lalanda de Castro apresentou a demissão ao conselho de administração da Octapharma, na sequência da investigação relacionada com o negócio do plasma; os responsáveis da farmacêutica, que também foi alvo de buscas, aceitaram a resignação do diretor. "Na sequência das referidas diligências, e de forma a focar-se na resposta às alegações que sobre si recaem, o Exmo Sr. Paulo Lalanda de Castro apresentou ao Conselho de Administração da Octapharma A.G. a demissão de todas as funções que desempenha na Companhia, incluindo as exercidas em Portugal, a qual foi aceite", refere o comunicado divulgado à imprensa.

Na terça-feira, foram realizadas mais de 30 buscas em estabelecimentos oficiais relacionados com a saúde, incluindo o Ministério e o INEM, duas buscas em escritórios e locais de trabalho de advogados e outras em território suíço. Vários documentos apreendidos no processo "Operação Marquês", que envolve José Sócrates, deram um impulso final à investigação sobre as suspeitas de corrupção de plasma e hemoderivados.

Mais um presidente do INEM suspeito de corrupção

Já esta quinta-feira, a Unidade Nacional Contra a Corrupção da Polícia Judiciária está a fazer novas buscas no INEM no âmbito da operação "Marcha Rápida". Segundo apurou o DN, os investigadores estão a recolher documentação sobre ajustes diretos feitos por um antigo diretor do Gabinete de Logística e Operações daquele instituto público, Patrício Ramalho, suspeito de ter favorecido uma empresa com contratos de material de consumo médico, equipamento e prestação de serviços, a Futurvida, fornecedora do INEM. Estas buscas não estão relacionadas com a operação O Negativo. Nesta investigação estão já constituídos dois arguidos, apurou o DN: o ex-presidente do INEM Paulo Campos e o ex-diretor do Gabinete de Logística e Operações do Instituto, Patrício Ramalho.

Neste processo, que corre na 9ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, os inspetores estão ainda a fazer buscas a empresas e residências dos suspeitos. Em causa podem estar crimes de participação económica em negócio, já que o ex-quadro do INEM será suspeito de passar informação sobre os concursos e necessidades do instituto.

Notícia em atualização

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