Hospitais em rutura. Já se espera 12 horas nas urgências

Falta de camas de internamento já está a levar hospitais a enviar doentes para os que estão com menos problemas de resposta

Vários hospitais de todo o País estão à beira da rutura com tempos de espera na urgência que já estão a atingir as 12 horas. Évora, Faro ou Abrantes são alguns dos que estão com mais atraso na resposta. Os serviços de internamento estão também atingir o máximo da taxa de ocupação, por isso, as unidades estão a colaborar e a enviar doentes para aquelas que têm menos problemas, dando seguimento a instruções do Ministério da Saúde. É o caso do Amadora-Sintra ou do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, que ontem enviaram doentes para o Hospital de Santa Maria.

Apesar de ainda se estar longe do pico da gripe (ver caixa), os serviços já estão a lidar com dificuldades na resposta, seja porque há falta de recursos humanos ou camas para internar doentes, além de haver mais casos sociais e muitos casos de problemas respiratórios.

Ontem, esperava-se grande afluência de doentes por ser segunda-feira e por ser a sequência de quatro dias de fim de semana prolongado, em que tradicionalmente se tenta ir menos aos serviços. Em Viseu, a triagem demorava uma hora e em Faro "os doentes verdes esperam cerca de sete horas. Está mesmo muito complicado", disse um profissional. Em Évora, fonte do gabinete de comunicação admite que "tem havido capacidade de internamento. No entanto, a afluência tem sido grande, o que se repercute nos tempos de espera". Um administrativo precisou: "A urgência está muitíssimo complicada. Os doentes azuis [menos urgentes] têm de esperar doze horas."

Também na área metropolitana de Lisboa, há registo de constrangimentos no Garcia de Orta, sem problemas no internamento mas com quatro horas de espera para os casos menos urgentes. No Centro Hospitalar Barreiro, segundo um médico, havia "seis horas de espera para os doentes menos urgentes", ainda assim metade do tempo de há duas semanas. "Havia 40 doentes em banco à tarde e já depois de um conjunto de medidas tomadas para aliviar os serviços, como a abertura de mais 18 camas.

Uma delas foi a contratação de médicos a 42 euros à hora, "autorizada pela tutela. Há médicos pagos por esse valor, alguns dos quais são internos, o que é lamentável porque os clínicos da unidade recebem cerca de 20", refere. O DN contactou a unidade, sem resposta.

No Centro Hospitalar do Médio Tejo, que inclui os hospitais de Tomar, Abrantes e Torres Novas, um profissional denunciou ao DN que os tempos de espera estavam a disparar. Os doentes pouco urgentes (verdes), já tinham de esperar 5.30 para serem atendidos e os urgentes 3.30, números que fonte oficial disse só poder apurar no dia de hoje.

Os principais constrangimentos em várias unidades prendem-se com o internamento. Mesmo depois de acionados os planos de contingência que preveem a abertura de mais camas, "havia à tarde 87 doentes na zona de triagem e de internamento, 52 dos quais internados. A maioria não tinha vaga para internamento, os outros aguardavam uma decisão." Alguns doentes "chegam a esperar 24 horas sem ser reavaliados. Não se consegue chegar a todo o lado".

O profissional refere ainda que os bombeiros e o INEM têm aguardado macas para poder deixar os doentes. Fonte oficial da unidade não tinha dados fechados, mas refere que "se registava a afluência normal para a época, frisando que só no dia 2 houve menos de 500 atendimentos nas três unidades. Podemos ter momentos com 80/90 doentes no serviço mas conseguimos dar-lhes resposta".

Ontem, o Hospital Amadora Sintra deu indicações ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) para que não enviasse doentes para lá, "sejam urgentes ou não urgentes. Vão passar a ir para Santa Maria, porque o nosso serviço de observação atingiu o limite de 80 doentes". Apesar disso, a unidade estava com uma espera máxima de três horas.

No Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental passou-se o mesmo. "Vamos encaminhar oito doentes para Santa Maria." Fonte do Ministério da Saúde referiu que foi "dada a indicação aos hospitais para que colaborassem de forma a não haver ruturas, seja em internamentos ou nos serviços de observação. Quem tem maior capacidade deve receber doentes de outros mais lotados".

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