"Fizemos mais em duas semanas do que o anterior Governo em três anos", disse Mário Centeno aos deputados da comissão parlamentar de Orçamento e Finanças..Segundo Centeno, "o Governo preferia uma outra alternativa" para o Banif mas por "restrições legais" essa solução não pode avançar. Ela passaria por uma recapitalização do banco pelo Estado, "a que se seguiria uma fusão com a Caixa Geral de Depósitos"..E esta solução - acrescentou, em mais uma crítica à anterior governação - "teria sido viável em 2012, no âmbito do Programa de Assistência Económico-Financeira", ou seja, ainda antes da "ajuda do Estado ao Banif" decidida pelo anterior Governo (no valor de 1100 milhões de euros, dos quais mais de 800 milhões estão por pagar)..De acordo com o ministro das Finanças, duas decisões da UE nos últimos dias "reduziram as opções" do Governo face ao Banif. No dia 16 a decisão foi de "não conceder licença à constituição de um banco de transição". Por outro lado, e com efeitos a 21 de dezembro, o BCE retirou ao banco o estatuto de contraparte, o que fez com que este perdesse a linha de financiamento com aquela origem..Por outro lado, disse ainda o ministro, "houve corrida aos depósitos na sequência de notícias falsas dando conta encerramento do banco a curto prazo"..Mário Centeno garantiu ainda que a administração do Banif foi ouvida sobre a venda, pois foi a própria quem conduziu o processo de venda, que começou no final do verão. Acrescentou que foi a administração do Banif que informou as autoridades sobre as ofertas que existiam para o Banif", reforçando que "todos os intervenientes do processo estavam informados sobre as condições de sucesso do processo sem intervenção do Fundo de Resolução"..Depois de Centeno, o secretário de Estado adjunto das Finanças, Mourinho Félix, diria que permitir a liquidação do banco pura e simples implicariam um gasto público de até três mil milhões de euros para cobrir depósitos até cem mil euros e ainda a despesa social inerente ao despedimento de 1600 trabalhadores..Orçamento nas mãos de Passos e Portas.Nem PSD, nem CDS disseram ainda como vão votar o orçamento retificativo. A decisão social-democrata deverá ser tomada esta tarde na reunião da comissão permanente do partido. E poderá ser a "abstenção", segundo o Expresso - solução que o CDS também prefere e que será suficiente para "compensar" o voto contra do PCP e o eventual voto contra do Bloco de Esquerda, dada a natureza das condições reivindicadas..Até agora, apenas o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, disse já ter dado indicações aos deputados do PSD/M na Assembleia da República para "não votarem contra" o Orçamento Retificativo - o que significa três votos que "tanto podem ser de abstenção, como a favor".Na segunda-feira, depois de se ter reunido com o primeiro-ministro, António Costa, Miguel Albuquerque considerou que a venda do Banif foi "a possível", já que salvaguarda os interesses dos clientes, e defendeu o reforço dos poderes de supervisão sobre o sistema financeiro..Passos Coelho não revelou esta manhã qual será a orientação de voto social-democrata, mas confessou que não teria uma "solução muito diferente" para o Banif da encontrada pelo atual Governo. O ex-primeiro-ministro recusou, no entanto, quaisquer responsabilidades dizendo que "não foi possível identificar ao longo destes anos um comprador para o Banif". Ontem, Mário Centeno, ministro das Finanças, responsabilizou Passos e Portas pela situação - falou em questões eleitoralistas por causa da "saída limpa" e das eleições de 4 de outubro - avisando que os "défices de 2015 e futuros" vão subir e que o caso Banif iria "aumentar o endividamento do país"..O CDS também ainda não revelou como vai votar amanhã. O líder parlamentar disse que a solução do governo, levanta "muitas dúvidas sobre se os valores injetados no banco são os adequados", tendo em conta a dimensão do Banif. As mesmas "dúvidas" tem o CDS sobre se "a repartição dos custos entre os contribuintes e sistema financeiro é o mais adequado". Se haveria outras soluções? Nuno Magalhães remeteu para a comissão de inquérito.