Esteve 4 meses em funções, demitiu-se e foi condecorado

Antigo ministro das Finanças, que esteve quatro meses em funções, foi um dos oito ex-ministros condecorados por Cavaco Silva. Demissão também é servir o país, diz Campos e Cunha

Foi pelo "espírito patriótico e de serviço" no desempenho de funções governamentais que Cavaco Silva distinguiu ontem oito ex-ministros com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Um deles, Luís Campos e Cunha, esteve quatro meses em funções e demitiu-se.

O ministro das Finanças no primeiro governo de José Sócrates disse ao DN que "serve-se o país de várias maneiras, incluindo quando se demite de funções por entender haver razões" para isso. "Também é um serviço", apontou o economista que em 2005 esteve quatro meses à frente do Ministério das Finanças até se demitir em desacordo com a política em curso. "Nos quatro meses fiz coisas importantes e saí por razões que hoje são mais evidentes", frisou.

Na cerimónia, ontem à tarde em Belém, o Presidente da República vincou que só "um elevado amor à camisola" leva alguns a aceitar governar. Por isso quis realçar os contributos dados por Vítor Gaspar, Bagão Félix, Álvaro Santos Pereira, Luís Campos e Cunha, Paulo Macedo, Maria de Lurdes Rodrigues, Nuno Crato e Rui Pereira.

Quatro dos condecorados integraram o governo de Pedro Passos Coelho e três (Campos e Cunha, Maria de Lurdes Rodrigues e Rui Pereira) trabalharam com José Sócrates, que nunca foi distinguido pela presidência como aconteceu com os anteriores primeiros-ministros. Bagão Félix, que serviu ante Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, completa o grupo.

Três deles demitiram-se ou foram substituídos: Vítor Gaspar, Luís Campos e Cunha e Álvaro Santos Pereira. E há o caso de Maria de Lurdes Rodrigues, que foi acusada pelo Ministério Público de prevaricação no exercício de funções. Chegou a ser condenada em primeira instância, mas a Relação de Lisboa anulou a decisão e absolveu-a.

O Presidente da República realçou o trabalho realizado pelos oito nos governos dos últimos 15 anos. "Se a ingratidão no serviço público é muita vez suscitada, a República deve ter gestos de gratidão. É por isso que estamos aqui, as pessoas que vão ser agraciadas vão sê-lo sem que isso signifique qualquer juízo de valor em relação às políticas que executaram", disse.

Para Cavaco Silva, as condecorações são atribuídas pelo "espírito patriótico e de serviço que demonstraram no exercício das suas funções". Para chegar a este lote de oito ex-ministros, o chefe de Estado usou um critério assente na ideia de estarem atualmente fora da vida política ativa, depois de terem servido o país em diferentes governos e momentos históricos. "A função de ministro é talvez uma das mais ingratas da vida política portuguesa, sei como em diferentes ocasiões tem sido difícil convencer pessoas qualificadas para exercer as funções de ministro", disse Cavaco, para quem os agraciados "não precisavam nada da vida política para se afirmarem nas suas vidas profissionais", nem "ganharam nada materialmente que não pudessem ganhar no exercício das suas funções profissionais".

Bagão Félix falou em nome dos oito condecorados. "Somos todos diferentes, nos projetos, nos trajetos da vida, nas formações, na maneira de pensar, de agir, de acreditar e até de sonhar. Um segundo ponto que temos em comum tem que ver com os propósitos e com o sentimento do modo como exercemos os nossos cargos políticos e públicos que eu poderia sintetizar numa só palavra: Portugal."

A assistir à cerimónia estiveram dezenas de convidados, entre os quais Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque.

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