Costa já tinha feito outro convite oficial a Sócrates

Sócrates no Túnel do Marão em fevereiro de 2011, quando era primeiro-ministro

Ex-primeiro-ministro vai estar hoje ao lado de António Costa na inauguração do Túnel do Marão

José Sócrates vai participar hoje pela primeira vez numa cerimónia oficial promovida pelo governo de António Costa - a inauguração do túnel do Marão -, mas na verdade não foi esta primeira vez que lhe chegou, com o mesmo remetente, um convite oficial. Foi, na verdade, a segunda.
Em janeiro passado, o antigo primeiro-ministro e antigo líder socialista, juntamente com vários outros ex-chefes de governo, foi convidado pelo executivo liderado por António Costa a participar numa cerimónia de celebração dos 30 anos de adesão de Portugal à UE.

Era um tempo em que na Presidência da República ainda estava Cavaco Silva, que foi à cerimónia. Sócrates recusou e fez o mesmo em relação a outros convites protocolarmente obrigatórios pela condição de ex-primeiro-ministro: a tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República; ou a celebração no Parlamento do 25 de Abril. E também pelo menos um partidário: a celebração dos 43 anos do PS, na sede nacional do partido, com António Costa presente.

Mas desta vez era difícil. A obra a inaugurar é de certo modo sua - já foi lançada em 2009, quando chefiava o governo. Além do mais, Sócrates tem ligação à terra: nasceu no distrito de Vila Real (freguesia de Vilar de Maçada, Alijó). Mário Lino, que era ministro das Obras Públicas quando a construção se iniciou, também foi convidado - e também aceitou. Bem como o seu secretário de Estado Paulo Campos.

Ontem, falando ao DN, Sócrates definiu a abertura do túnel como um "símbolo": "Um símbolo de um tempo que acabou, o tempo que separava os que lá estão [além do Marão] e os que cá estão". "É um reencontro num espaço de justiça", acrescentou, enquadrando a opção de fazer avançar a construção do túnel numa "decisão de Estado que era fazer investimento no interior para criar um país equilibrado no acesso às condições de desenvolvimento". "Porque", sublinha, "a natureza da política é a ação e a negação da política é passar o tempo a explicar porque não se fazem coisas." E o túnel do Marão , sendo um símbolo dessa prioridade, não é o único: "Também o Alqueva, no Alentejo, ou a criação de uma Faculdade de Medicina na Covilhã."

E não está só em causa dar ao Interior condições de desenvolvimento iguais às do resto do território, removendo pela engenharia e pelo investimento público obstáculos naturais que separam regiões.

Trata-se também - diz - "de salvar vidas", recordando que em tempos não muito distantes morriam em média 22 pessoas por ano no troço Amarante-Bragança, projetando-se agora que essa média desça para algo entre zero e um. Aceitando participar na cerimónia, Sócrates fornece à cerimónia um segundo centro de atenções, além da inauguração do próprio túnel. Será o momento do reencontro público com António Costa. Que seja do conhecimento público, a última vez que estiveram juntos foi quando Costa, ainda só líder do PS, foi visitar Sócrates à prisão de Évora, em 31 de dezembro de 2014 (ontem, no contexto da Operação Marquês, a sua defesa anunciou em comunicado que vai mesmo poder ter acesso a todo o processo, por decisão do Tribunal Constitucional). Depois, se algum encontro existiu, não foi revelado.

A construção deste troço rodoviário começou com Sócrates e passou depois para Passos Coelho, que o fez retomar em 2013, depois de uma paragem de dois anos . Passos foi também convidado pelo atual governo a estar presente na cerimónia mas declinou, por motivos de agenda. Estará durante a tarde toda numa conferência no Palácio da Bolsa, no Porto, e depois num jantar de celebração do 42.º aniversário do PSD, na Alfândega.

Falando ao DN, um deputado do PSD eleito por Vila Real, Luís Leite Ramos, saudou a abertura do túnel como "muito importante" para o "conforto" e a "segurança" dos que circulam em Trás-os-Montes . Mas também disse que todos os percalços que rodearam a construção foram "uma metáfora de um tempo recente, com obras paradas" por inoperância do Estado.

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