Despedida de Portas. As tréguas na guerra à sucessão terminaram esta noite

Putativos rivais na corrida à liderança: Nuno Melo e Assunção Cristas

Foi o último Conselho Nacional de Paulo Portas, presidente do CDS-PP há 16 anos. Deixa o partido com 36 mil militantes.

O congresso do partido ficou marcado para 12 e 13 de março, daqui a dois meses, mas o local ainda não foi decidido. Pode ser Lisboa ou Porto. Até lá, esta foi a última noite de tréguas na estrutura dos dirigentes do partido. A partir de agora todos são livres para disputar a liderança. Mas esta foi mesmo a noite de Paulo Portas, com apelos prévios para que nenhum outro protagonismo fizesse sombra a líder mais duradouro da história do CDS. Nuno Melo e Assunção Cristas, os nomes que têm sido destacados como os mais prováveis candidatos à sucessão, ainda não se assumiram como candidatos nem os seus apoiantes se manifestaram nesta reunião.

Portas deixa o CDS com 36 mil militantes. Mereceu aplausos emocionados e vibrantes que se ouviam em todo o largo do Caldas e os conselheiros aprovaram por aclamação um voto de "louvor e agradecimento". O clima de emoção era notório. Portas fez um discurso d voltou a justificar a sua decisão, utilizando os mesmos argumentos que tinha apresentado quando anunciou que não se recandidataria à liderança, em dezembro último. Um deles foi o tempo que está à frente do CDS (desde 1998, com dois anos de intervalo), facto que, caso se recandidatasse o obrigaria a ter de estar disponível para, pelo menos, mais dois mandatos, elevando para mais de 20 anos esta liderança.

Portas voltou a manifestar o seu "voto de confiança" na nova geração que o vai suceder no CDS, caracterizada por uma "grande maturidade e responsabilidade". Fontes da direção centrista confirmaram ao DN o encontro "emocionante" com algumas intervenções "a destacarem o trabalho de Paulo Portas e agradecimentos por tudo o que fez pelo partido". Segundo estas fontes houve um prévio acordo tácito com Nuno Melo e Assunção Cristas para que, nas suas intervenções não dessem indicação ainda sobre o sentido da sua decisão. "Se o Nuno Melo ou a Assunção anunciarem ali se são ou não candidatos à liderança, o Conselho Nacional deixa de ter o seu foco naquilo que se pretende, que é a homenagem a Paulo Portas", explicou um membro da Comissão Política Nacional, antes do encontro.

Portas jantou com Melo

Nuno Melo admitiu esta semana ao DN que estava a "ponderar" a sua candidatura à sucessão de Portas e que anunciaria a sua decisão na próxima semana. Contactado ontem, reafirmou essa posição. Esta semana Melo jantou com Paulo Portas em Lisboa, encontro que ambos desvalorizaram quando confrontados pelo DN. Nuno Melo não quis fazer comentários. Fonte próxima de Portas, que tem feito questão em frisar interna e externamente a sua imparcialidade em relação à escolha do seu sucessor, deu nota que "também esta semana Portas foi a casa de Assunção Cristas. Faz parte do dia a dia do ainda presidente do partido falar com os seus vice-presidentes. Quem vai ao parlamento pode vê-lo diariamente nesse tipo de conversas".

As "tréguas" da guerra sucessão vão ser levantadas para a semana. Caso Nuno Melo avance, é provável que Cristas desista, mas essa decisão não é dada como certa. A ex-ministra da Agricultura tem sido pressionada para avançar contra Melo. Mas é o eurodeputado quem, neste momento, tem mais apoio dentro da estrutura do partido, com quase todos os vice-presidentes a desejar que dê o passo para a candidatura à liderança. Nuno Melo estará, no entanto dividido, entre esse enorme desafio e os seus compromissos familiares e profissionais. O mandato em Bruxelas só terminaria em 2019 e Melo não contava que Portas deixasse a cadeira vazia nesta altura .

Foram aprovados neste Conselho Nacional os regulamentos para a eleição dos cerca de 1200 delegados ao congresso, que será a 20 de fevereiro e o prazo para a entrega de moções é a 26. "Isso impede que a eleição dos candidatos seja influenciada pelas linhas apresentadas nas moções", explicou uma fonte da direção.

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