José Sócrates e os restantes 11 arguidos do processo "Operação Marquês" terão que aguardar mais uns dias para saber quando é que o Ministério Público avançará com a mais que esperada acusação. Em resposta ao DN, a Procuradoria-geral da República (PGR) adiantou que só "depois das férias judiciais" é que o diretor do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Amadeu Guerra, "proferirá despacho relacionado com a matéria"..A posição do responsável pelo departamento onde corre a investigação ao antigo primeiro-ministro é aguardada com expectativa, uma vez que o próprio Amadeu Guerra deu, em dezembro do ano passado, 30 dias ao procurador do processo, Rosário Teixeira, para, entre outras matérias, lhe apresentar um "memorando" sobre o estado da investigação e definir um "prazo previsível para a emissão de um despacho final". Esta determinação foi tomada a 22 de dezembro de 2015. Nos últimos dias, tendo em conta o prazo de três meses, o DN questionou a PGR se esse memorando foi entregue ao diretor do DCIAP e qual a data indicada pelo procurador Rosário Teixeira para o encerramento da investigação. A resposta na íntegra foi: "O diretor do DCIAP tem acompanhado e está informado sobre o andamento do inquérito. Oportunamente, depois das férias judiciais, proferirá despacho relacionado com a matéria"..Numa recente entrevista à Agência Lusa, Amadeu Guerra garantiu que o DCIAP está a fazer "tudo o que está ao seu alcance" para proferir o despacho final "no mais curto espaço de tempo". "A documentação recolhida tem vindo a ser objecto de análise e sistematização", explicou o director do DCIAP. "Logo que analisada toda a prova será proferido o despacho final"..Antes destas últimas declarações e das tomada de posição no próprio processo, Amadeu Guerra já tinha rejeitado uma proposta do inspetor tributário Paulo Silva, que pretendia arrastar a fase de investigação da "Operação Marquês", pelo menos, até setembro deste ano. Numa informação, o coordenador da investigação apontou ao procurador Rosário Teixeira duas datas: julho de 2016 para terminar o inquérito e setembro do próximo ano para entregar o relatório final. O que, na prática, significaria que a mais que esperada acusação apenas fosse deduzida no final deste ano. Confrontado com esta proposta de trabalho, o diretor do DCIAP recusou-a liminarmente. Em novembro do ano passado, pediu, pela primeira vez, um relatório sobre o estado da investigação. E após este ter-lhe sido entregue - juntamente com informação sobre o volume dos autos: 80 mil escutas telefónicas, 2,7 gigabytes de ficheiros e 188 apensos bancários - Amadeu Guerra decidiu dar os tais três meses para a definição de uma data previsível..Entretanto, neste intervalo de tempo, a investigação decidiu enviar uma Carta Rogatória para Inglaterra, pedindo às autoridades inglesas informação sobre movimentos de uma sociedade registada naquele país. Este pedido enquadra-se no contexto das suspeitas de corrupção existentes sobre o empreendimento turístico de Vale do Lobo, no Algarve. Tendo em conta a habitual demora das autoridades inglesas na resposta a pedidos de cooperação internacional, não se prevê que a investigação esteja nas posse dos dados pretendidos nos próximos três meses. Uma das escapatórias para o Ministério Público não prolongar por muito mais tempo a investigação poderá passar, tal como o DN já adiantou, pela separação do processo, avançando-se, numa primeira fase, para uma acusação por fraude fiscal e branqueamento de capitais, já que o próprio fisco reclama 19 milhões de euros a José Sócrates (ver DN de 20 de novembro de 2015), deixando as suspeitas de corrupção para uma eventual segunda acusação..No processo Operação Marquês, estão em causa crimes de corrupção ativa e passiva, fraude fiscal, tráfico de influências e branqueamento de capitais.