Costa triplica assessores para segurança e defesa

António Costa numa entrega de viaturas à PSP, em 2006, quando era ministro da Administração Interna

Atento às sensibilidades do setor, primeiro-ministro nomeou assessor oriundo da PSP, outro da GNR e militar para a Defesa

É inédito e ainda não foi explicado. Passos Coelho tinha no seu gabinete apenas um assessor para as áreas da segurança interna e defesa, mas António Costa nomeou três. O socialista é também o primeiro chefe de governo a chamar para o seu gabinete dois assessores para os assuntos de segurança interna um oficial da PSP (intendente Luís Elias) e outro da GNR (coronel Óscar Rocha).

Passos Coelho, tal como os seus antecessores, tinha apenas um assessor para a "segurança nacional", que incluía a Defesa, e era militar (primeiro, Carlos Chaves, que depois foi substituído por Tavares de Almeida). Para a área da defesa, Costa também tem um militar: o almirante José Montenegro, ex-comandante naval.

Os despachos de nomeação ainda não foram publicados e, por isso, não é possível saber qual a missão que está atribuída aos dois oficiais, ambos destacados dirigentes nas suas instituições. Contactado pelo DN, o gabinete de António Costa não esclareceu a dúvida.

Ao que o DN apurou junto a uma fonte que acompanhou o processo, o "caderno de encargos" do intendente e do coronel será "tratar de tudo o que diga respeito à segurança interna, análise da organização e melhorias no sistema e o apoio à decisão em alguns processos mais sensíveis".

Quanto ao facto de ser um de cada força de segurança, a interpretação é de que "conhecendo António Costa, desde que foi ministro da Administração Interna (MAI), a rivalidade entre a GNR e a PSP quis evitar inevitáveis conflitos, caso só nomeasse um deles".

Guardas elogiam

Sobre as escolhas de António Costa, o DN tentou contactar associações da PSP e da GNR, bem como as próprias forças de segurança.O DN apenas conseguiu contactar a Associação dos Profissionais da Guarda (APG), cujo presidente elogiou a opção do primeiro-ministro.

César Nogueira considera que a nomeação de Óscar Rocha é uma "mais-valia", uma vez que o primeiro-ministro terá ao seu lado "uma pessoa que não falará de cor, que conhece bem a instituição e que até já esteve no ministério quando António Costa era ministro".

O presidente da APG diz que esta escolha pode trazer melhorias, uma vez que "quando há reuniões não é preciso estar a explicar como funciona, pois já está lá um oficial da GNR que o sabe o que está em causa". César Nogueira acrescenta ainda que "assim estaremos a falar a mesma língua" e do lado do primeiro-ministro já estará alguém que "conhece bem quais são as nossas reivindicações, quer dos profissionais, quer do que a própria instituição precisa".

Quem são os escolhidos?

Para ir para o gabinete de Costa Luís Elias cessa funções no Comando de Lisboa da polícia. Luís Elias esteve seis anos no Cometlis, como segundo comandante e responsável pela área operacional. Luís Elias tem também uma carreira distinguida no plano interno e a nível internacional, em várias missões das Nações Unidas. Foi, por exemplo, segundo Comandante da Polícia da ONU em Timor-Leste.

Óscar Rocha deixa de ser comandante do comando territorial de Viseu da GNR. Não é uma estreia para o oficial da GNR: já há dez anos atrás Óscar Rocha tinha trabalhado com António Costa no Ministério da Administração Interna. Quanto a José Montenegro chegou a assumir o comando da EUROMARFOR (força marítima europeia).

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