Corrupção na Força Aérea envolve 46 suspeitos

Seis militares foram detidos e empresários constituídos arguidos por corrupção. Gestão das messes terá lesado o Estado em 10 milhões de euros. Há suspeitas de pagamentos de comissões

Um esquema de corrupção nas messes da Força Aérea (FA) terá lesado o Estado em dez milhões de euros nos últimos anos. Esta é uma conclusão preliminar da PJ, que ontem lançou a Operação Zeus, detendo seis militares por suspeitas de corrupção e falsificação de documentos: um major, dois capitães e três sargentos do ramo.

Dois dos suspeitos foram detidos no Estado-Maior, em Alfragide (Lisboa), um no Lumiar, outro na Ota e dois na base aérea de Monte Real, soube o DN junto de fontes da FA. Outras 40 pessoas - entre militares e civis (empresários) - foram constituídas arguidas. O esquema passaria pela faturação de quantidades de alimentos três vezes superiores ao efetivamente fornecido, sendo "a diferença [...] dividida pelos elementos envolvidos", disse a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Uma das interrogações reside na duração do caso, sabendo-se que as três refeições diárias dos militares têm um custo de 9,48 euros, conforme portaria em vigor desde o dia 29 de dezembro de 2010. Tendo a FA cerca de 6000 militares e fazendo contas a 250 dias por ano, o seu orçamento anual para alimentação rondará os 15 milhões de euros.

Esse bolo é distribuído pelas várias unidades da FA, tendo cada uma "competência para fazer" as compras de alimentos, explicou uma fonte do ramo. Aquisições centralizadas só quando envolvem valores "muito elevados", adiantou.

Esta investigação, cujo processo corre na 9.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, começou há cerca de dois anos com a Polícia Judiciária Militar - que ontem também participou na operação. Mas, segundo informações recolhidas pelo DN, foi a entrada em cena da Unidade Nacional contra a Corrupção da PJ (UNCC) a dar-lhe impulso decisivo, que culminou com as detenções de ontem.

Fonte ligada à investigação adiantou ao DN que uma das principais dificuldades prendeu-se com o rasto do dinheiro, pois os militares terão recebido as comissões em numerário e não faziam depósitos. "Eram pessoas muito discretas, não exibiam sinais exteriores de riqueza. Houve muito dinheiro encontrado em residências que terá de ser contabilizado", explicou a fonte.

Em comunicado, a PJ adiantou que "no decurso das 180 buscas a 12 bases militares, em 15 empresas e em diversos domicílios, foram apreendidas elevadas quantias em dinheiro, que se presume que sejam produto da prática dos crimes". Os principais alvos foram messes de Monsanto, Figo Maduro, Lumiar e Alfragide (Lisboa), Alcochete, Sintra, Monte Real, Beja e Montijo.

Na operação participaram 330 investigadores e peritos da PJ, acompanhados por quatro dezenas de elementos da PJM e 27 magistrados do Ministério Público.

A PGR adiantou que o esquema passaria por um "acordo entre militares que trabalham nas messes [e] fornecedores dos géneros alimentícios e um elemento do departamento do Estado-Maior da Força Aérea com funções de fiscalização das referidas messes".

Os seis militares detidos serão presentes nos próximos dias a um juiz de instrução.

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