César avisa: "Aquilo que desejamos não é embarcar em euforias"

O presidente do PS e líder da banca iniciou hoje as jornadas parlamentares com avisos para dentro do Governo e da maioria de esquerda

"Estamos a ter grandes sucessos mas o trabalho tem de ser continuado e duradouro e atingir todo o Portugal", afirmou Carlos César aos jornalistas, depois de uma visita a uma IPSS em Bragança, a Obra Social Padre Miguel - num edifício claramente assinalado como tendo sido inaugurado em 2009 pelo então primeiro-ministro José Sócrates e pelo seu ministro da Segurança Social, Vieira da Silva (que hoje, no executivo de António Costa, detém a mesma pasta).

Num claro aviso para dentro do Governo, do PS e da maioria de esquerda, César prosseguiu: "Aquilo que desejamos é não embarcar em euforias". "Há bons sinais mas não estamos em condições de fazer a reversão completa" das "medidas que lesaram" os portugueses durante a legislatura 2011-2015.

Sacudindo pressões do BE, PCP e PEV para, à boleia dos bons números económicos, fazer aumentar a despesa pública no próximo Orçamento do Estado, César rematou: "O nosso trabalho não é acalmar os partidos [da maioria de esquerda], é dar respostas aos portugueses."

O líder parlamentar socialista deixou ainda outro recado. Dizendo que a função do grupo parlamentar é "municiar" o Governo para que este "governe melhor" e não apenas apoiá-lo, desaconselhou "complexos de esquerdas" face ao apoio oficial a instituições particulares de solidariedade social, complexos que passam por "reservas" e "apoios comedidos".

Pelo contrário, salientou: "O Estado não tem de ter o exclusivo nem sequer a prioridade" na ação social, "deve confiar" nas IPSS e a contratação com estas "deve ser reforçada".

Segundo explicou, a escolha de Bragança para estas jornadas e não "sítios turísticos" - o PSD vai para Albufeira e o BE para Tavira - foi precisamente para salientar que, apesar dos sucessos da política governamental, ainda há zonas do país "em grandes dificuldades". No caso deste distrito, salientou especificamente que um índice de envelhecimento que é o dobro da média nacional. Também sublinhou que a distância e o isolamento tem ainda um outro efeito: os "sucessos" da instituições como aquela que visitou não são devidamente "exponenciados", cabendo portanto ao PS fazê-lo.

Durante a visita, ouviu do presidente da instituição, Manuel Pereira, suaves protestos por causa dos efeitos no seu orçamento dos aumentos do salário mínimo nacional.

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