CDS quer que ministro explique o fim do exame de Cambridge

Exames começaram a ser feitos em 2014

Prova feita pelo instituto inglês era obrigatória para os alunos do 9.º ano e ia contar para a nota final

Os deputados do CDS-PP ainda não estão satisfeitos com as explicações dadas pelo ministro da Educação para o fim do exame de Inglês do 9.º ano e decidiram enviar-lhe uma pergunta sobre o tema. A prova da autoria do Cambridge Institute - que neste ano ia contar para a nota pela primeira vez - foi anulada, segundo explicou o ministro Tiago Brandão Rodrigues, porque era "inadequada ao currículo dos alunos portugueses".

Já o secretário de Estado da Educação, João Costa, respondeu ao CDS-PP, em audição na comissão parlamentar de Educação, que "as metas que foram aprovadas para o Inglês não fazem qualquer referência à avaliação, com o grave problema de aquilo que estava a ser usado como instrumento de certificação não ser completamente coerente com o que as metas entretanto formuladas previam". Ora, não foi isso que os deputados subscritores da pergunta entregue no Parlamento, a que o DN teve acesso, encontraram quando foram ver as metas. Ana Rita Bessa explica que "as metas estão alinhadas com os objetivos da prova de Cambridge e por isso aguardamos uma contra-argumentação válida do ministro [que volta na terça-feira à comissão parlamentar]". A pergunta deixada pelos deputados Ana Rita Bessa e Abel Baptista é clara: "Por que razão, apesar de não haver desalinhamentos curriculares e de claramente se estar a privar os alunos mais desfavorecidos da escola pública de um certificado de nível B1 na língua inglesa, o governo toma a decisão de suspender o exame de Cambridge."

Os deputados garantem que esta medida mais não faz do que privar os alunos mais carenciados de um diploma que certifica conhecimentos. Já que os alunos do 9.º ano, com ação social escolar, podiam ter o documento de forma gratuita. Medida que abrangia 25% dos estudantes, indicou o presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), que coordenava o processo entre Cambridge, as empresas parceiras e as escolas. Os restantes alunos, do 5.º ao 12.º anos, que quisessem tentar obter o diploma pagavam 25 euros.

Porém, o governo entendeu que o processo - iniciado em 2014, no governo PSD e CDS--PP - não se enquadrava no novo modelo de avaliação e aferição. A decisão foi apresentada no momento em que foram anunciados o fim dos exames dos 4.º e 6.º anos, substituídos pelas provas de aferição dos 2.º, 5.º e 8.º anos.

O processo de Cambridge sempre suscitou dúvidas e críticas. Em causa, o facto de não ser claro o custo da prova, o contributo das empresas e da sua aplicação depender do trabalho dos professores que ainda tinham de fazer formação antes de aplicar os testes. Tudo isto, levou a Fenprof (Federação Nacional dos Professores) a apresentar queixa na Procuradoria-Geral da República, processo que ainda está em fase de inquérito. No Parlamento, o Bloco pediu o fim deste processo, devolvendo "à escola pública" as competência para avaliar o ensino do inglês.

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