Candidata tenta desdramatizar: "Tempo não está para aventuras"

Maria de Belém, em campanha em Almeirim

A mobilização falhou na campanha de Maria de Belém em Santarém. Mesmo jogando num terreno onde contou com o chefe local do aparelho do PS. Durante o dia valorizou a condição de mulher

Maria de Belém encerrou ontem o seu primeiro dia do período oficial da campanha presidencial com uma frase que foi o melhor que se arranjou para justificar o fracasso, em termos de mobilização, que foi a sua primeira sessão pública, no caso no cineteatro de Almeirim.

Estávamos em Setúbal, na Misericórdia, no fim da visita ao segundo lar de idosos do dia - o primeiro fora em Alpiarça, na Fundação José Relvas, logo pela manhã, no primeiro passo da jornada.

Uma jornalista pergunta-lhe se não tinha achado a sala do cineteatro meia vazia. "Meia vazia não estava, são os seus olhos", responde. Mas logo a seguir acrescenta: "Meia vazia não estava. Estava meio cheia."

Nem gente, nem alegria, nem entusiasmo. Dois lares de idosos, um almoço ainda em Alpiarça onde os apoiantes não eram mais de 40 - tantos como os jornalistas - e o tal "comício" de Almeirim, onde manifestamente não se refletiu o facto de a candidata estar a jogar "em casa" (o chefe da distrital do PS é seu apoiante e também vários autarcas eleitos pelo partido).

Em Almeirim, Maria de Belém dramatizou. "O tempo não está para aventuras nem para experimentações. Os erros das escolhas duram sempre pelo menos cinco anos. Há erros em relações aos quais não podemos voltar atrás."

Para os seus adversários mais diretos a ex-ministra da Saúde só deixou referências veladas. "É indispensável - apelou - discutir o perfil das pessoas que se candidatam, o tipo de pessoa que se quer para Presidente da República." Os eleitores têm de saber se "querem alguém que um dia diz uma coisa e noutro diz outra" ou se "alguém com grandes habilidades retóricas e um discurso encantatório mas que nunca concretizou nada" ou então "alguém com provas dadas, porque esteve sempre sob escrutínio público, mesmo quando não precisava de se sujeitar a ele".

Antes dela, já o seu mandatário nacional, o ex-mandatário nacional Marçal Grilo, tinha sido igualmente velado a qualificar os concorrentes de Maria de Belém. "Esta campanha é muito importante, não precisamos nem de uma revolucionária, nem de um académico ex-revolucionário, nem de alguém que trocou uma religião por outra, nem de uma vedeta de televisão. Precisamos de alguém que una os portugueses no seu conjunto. A Maria pensa o que sempre pensou, diz o que sempre disse e faz o que sempre fez."

Maria de Belém procurou ao longo do dia valorizar a sua condição de mulher ("eu sou mulher, como é bem visível, assumido e com gosto") salientando que são sempre as mulheres quem mais sofre nas crises económicas, com mais dificuldade a superar o desemprego ou por terem salários mais baixos. "Estamos aqui para dizer bem alto que essas injustiças têm que acabar porque não são dignificantes, não são aceitáveis e é preciso uma voz forte na Presidência da Republica para dar alento para que estas questões não sejam aceitáveis."

Outro tema permanente da sua campanha é a valorização da economia social - e daí tantas visitas a IPSS (que hoje prosseguirão). "Dá trabalho às pessoas e assim restitui-lhes dignidade", explicou.

Para a história do dia ficou também a aparição em Alpiarça do (até agora) único ministro do PS que apoia Maria de Belém, João Soares, titular da pasta da Cultura. "Eu tenho a certeza - e só eu e a minha irmã prestar este testemunho com a mesma sinceridade, e não quero insistir nesta nota - que se a minha mãe [Maria Barroso] estivesse viva, e infelizmente não está, votaria e apoiaria a Maria de Belém."

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