A nova Presidência. App Marcelo vai chegar aos telemóveis

Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido de braços abertos no Bairro do Cerco, no Porto. No centro social conviveu com as crianças com o mesmo entusiasmo que percorreu o bairro, engolido pela multidão e com muita gente nas varandas

E António Costa deu luz verde a Marcelo para falar com ministros

O país viu nos últimos três dias um Presidente da República bastante diferente daquele que ocupou o cargo nos últimos dez anos - e as inovações não irão ficar por aqui.

Marcelo Rebelo de Sousa quer criar mecanismos de comunicação direta com o país plenamente adaptados aos tempos de hoje. Por isso a Presidência da República vai lançar a construção de um novo site - obra estimada para durar um a dois meses - que acolha na sua organização as novas formas de acesso à internet.

Dito de outra forma: pela primeira vez a Presidência da República terá uma aplicação adaptada a telemóveis inteligentes (smartphones) e tablets - atualmente uma importante fonte de acessos aos sites, sobretudo para as camadas da população mais jovens. Atualmente, o sítio da Presidência da República na net (www.presidencia.pt) - já com conteúdos dando conta das atividades e dos discursos do novo Presidente da República - não comporta estas valências. (Cavaco Silva, entretanto, também já lançou o seu site de ex-presidente, www.gabinetesacramento.pt.)

Mas as inovações na comunicação de Marcelo - que procura ainda um profissional "sénior" para o seu gabinete de imprensa - não se ficarão por aqui. Em momentos que considere chave - por exemplo, quando tiver de analisar o Orçamento do Estado (OE) para 2016 -, o Presidente da República irá explicar a sua decisão aos portugueses. Só que tenderá a fazê-lo num registo bastante distante das formais "comunicações ao país" ou mensagens ao Parlamento que marcaram o consulado de Cavaco Silva e dos presidentes anteriores. Uma fonte próxima de Marcelo falava mesmo ao DN na hipótese de conferências de imprensa enquanto um outro colaborador usava expressões como uma comunicação mais "ligeira" ou "informal". Este tipo de comunicação acontecerá perante grandes temas e tendencialmente face a decisões que envolvam o próprio PR (promulgação de leis).

Na comunicação entre o PR e o governo também haverá novidades. Concertadamente com o primeiro-ministro, Marcelo Rebelo de Sousa tenciona chamar ministros a Belém, para efeitos de explicações mais técnicas. Há dois ministros com quem os contactos serão mais frequentes, aqueles que tutelam áreas onde o PR também tem responsabilidades: Negócios Estrangeiros (Augusto Santos Silva) e Defesa (Azeredo Lopes). Antes de tomar posse, Marcelo falou com ambos, no Palácio de Queluz. Anteontem anunciou que, "juntamente com o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros", promoverá "encontros com os chefes de missão [diplomática] nos respetivos grupos regionais com que se organizam em Lisboa".

O "Centeno" de Marcelo

Ainda em Queluz, e por intermédio de António Costa, Marcelo conheceu também o ministro das Finanças, Mário Centeno. Para a sua assessoria, contratou entretanto o economista Hélder Reis - que foi de julho de 2013 a outubro de 2015 o secretário de Estado do Orçamento da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. Reis - visto essencialmente como um técnico e não como um político - esteve na berlinda logo após o atual governo tomar posse, quando surgiram acusações de que teria feito muito menos do que o possível nos preparativos do OE 2016.

Coabitação tranquila

A proposta tem votação final no Parlamento marcada para dia 16 e António Costa conta com Marcelo para tê-la promulgado a tempo de entrar em vigor ainda este mês. Quem conhece bem Marcelo não espera dele, no OE 2016, nenhum sinal de distanciamento face ao governo do PS. "Desdramatização", "descompressão", "estabilidade" - foram palavras que ontem usou, falando a jornalistas algures na visita ao Porto. Do discurso de tomada de posse ficaram três notas importantes, em matéria económica: "Temos de sair do clima de crise" e não chegam "finanças sãs" - é preciso a isso somar "crescimento e emprego" (o que tem sido também o discurso de Costa).

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