Qual a importância do novo centro de saúde mental no Hospital das Forças Armadas (HFAR) para os veteranos de guerra?.Reputamos como muito importante a abertura daquele serviço de apoio psicológico e de psiquiatria. Até agora o serviço no HFAR era feito fora... havia lá um apoio, mas muito reduzido. O hospital fica mais militar ao ter esta valência, porque temos de pensar nos reformados que fizeram a guerra colonial e agora estão mais bem servidos, mas também nos que agora participam nas novas missões de paz e de cooperação. São missões difíceis e alguns necessitarão de apoio psicológico e psiquiátrico..Como é que a ADFA se articula com o HFAR nesse domínio?.Muitos dos nossos associados também passam pelo HFAR, mas na ADFA funciona a rede nacional de apoio ao stress de guerra, com um polo em Lisboa e outro no Porto....Os DFA podem continuar a ir à ADFA?.É uma escolha das pessoas irem ao HFAR ou serem atendidos aqui. A rede nacional é para os que ainda não foram qualificados como DFA, que se queixam de alguns sintomas. Temos muita gente a fazer exames de avaliação... no ano passado foram dadas, a nível nacional (em Lisboa, no Porto, Madeira e Açores), 694 consultas de psicologia e 801 de psiquiatria. Estas consultas vão iniciar os processos ou permitem fazer requerimentos ao HFAR. Agora muitos dos que estão qualificados não querem ir para uma instituição militar e preferem ter só acompanhamento connosco. Quem vive em locais distantes, por exemplo em Bragança, também não terá facilidade em ir ao hospital militar e opta por ser seguido pelo médico de família..Ainda há muitos veteranos com diagnóstico de stress de guerra?.Muitos DFA ainda continuam a ter esse diagnóstico, ainda há um número razoável de quem fez a guerra colonial. Em 2016, dos cerca de 200 qualificados como DGFA, 25% foram-no com stress de guerra. E metade dos 87 qualificados já este ano como DFA também. Isto significa que ainda é preciso muito HFAR e um bom HFAR... confiamos no ministro da Defesa e no general Pina Monteiro, que tem o pelouro do hospital. Aquele centro é muito importante porque estamos mais velhos e mais doentes. Para os que vão agora também é preciso porque são missões de risco e necessitam de apoio... a condição militar é algo muito sério, merecemos respeito e consideração..Como eram atendidos os militares quando regressavam da guerra colonial?.As questões do stress de guerra apareceram nos anos 1980. Havia alguns diagnosticados com neurose de guerra, mas não havia nada. A instituição militar tinha um serviço de psiquiatria mas... o regime dizia que a guerra não fazia mal a ninguém, mas felizmente veio o 25 de Abril e nasceu a associação. Depois apareceu a APOIAR e a voz autorizada do [psiquiatra] Afonso de Albuquerque, que trouxe a experiência dos EUA. Já houve gente qualificada a título póstumo, mas hoje as coisas caminham noutro sentido, para melhor.