Uma tomada de decisão terá sido acelerada a tempo de ser anunciada nesta sexta-feira. Trata-se do acordo com os lesados BES. António Costa, primeiro-ministro, tem estado em Nova Iorque, a propósito da tomada de posse de António Guterres como secretário-geral da ONU, mas não perdeu tempo na viagem e já deu o aval à solução que vai anunciar. Na pratica, é um governo de alianças à esquerda que vai anunciar ter criado as "condições" de que António Costa falou há poucos dias: "Criar medidas para restabelecer as condições no sistema financeiro.".São pelo menos três as medidas que criam essas condições: por um lado a nomeação de um novo presidente da CGD que irá executar o urgente plano de recapitalização do banco público, por outro lado o acordo com os lesados do BES que vai abranger mais de 90% dos visados, e, por fim, a venda do Novo Banco. As últimas semanas têm sido ricas em notícias relacionadas com a banca nacional. No próximo fim de semana ou no arranque da semana seguinte, o mesmo poderá acontecer, revelam algumas fontes ligadas à banca. Todas serão boas notícias para o sistema financeiro, tendo em conta a debilidade em que se encontra há muito. A meu ver, merece destaque o acordo com os lesados do BES, nesta véspera de Natal. Estes clientes, muitos deles pequenos aforradores que mal sabiam o que estavam a comprar e muito menos o que é exatamente um papel comercial, vão ver recuperada parte do seu investimento..Foram muitas as angústias que os aforradores passaram nestes anos, foram muitas vezes chutados para canto por políticos, outras vezes sentiram-se desprezados pelo Banco de Portugal e, finalmente, veem uma solução ao fundo do túnel. Claro que só vão acreditar na sexta-feira que existe realmente um acordo fechado e pronto a ser aplicado. Afinal, está é uma prenda de Natal há muito desejada..Perante a bola de neve gigante em que estava a transformar-se este tema dos lesados do BES , o executivo e o Banco de Portugal alinharam o tema entre as prioridades a tratar antes do fecho do ano. O BdP aprovou a proposta final que atribui ao fundo de resolução, detido pelos maiores bancos, grande parte do peso financeiro da solução acordada com o governo, a CMVM, a Associação dos Lesados e o Banco de Portugal. As contas públicas ficam assim salvaguardadas, uma das condições impostas pelo executivo para não afetar o défice. Pelo menos neste tema há uma salvaguarda, já no caso do pagamento dos swaps ao Santander Totta (tema analisado em artigo nesta edição), tendo em conta as curtas provisões nos relatórios e contas das empresas públicas de transportes para fazer face aos encargos com os swaps, o défice poderá sair penalizado.