O que têm em comum Katainen e Horta Osório?

Publicado a
Atualizado a

Cortar na despesa pública é preciso. Ora aí está uma notícia fresquinha trazida a Portugal por Jyrki Katainen, um dos quatro vice-presidentes da Comissão Europeia. Esteve em Lisboa nesta semana para reuniões bilaterais e debates. O vice-presidente da Comissão Europeia responsável por Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade, Katainen, disse, portanto, o que todos os portugueses já sabiam, inclusive o governo, ou seja, deu-nos uma não notícia. Mas deixou um alerta ao governo: "As coisas estão mais na direção certa, mas ainda não há espaço para nenhuma complacência".
Neste aviso usa, curiosamente, a mesma expressão que António Horta Osório utilizou numa entrevista recente que deu ao Dinheiro Vivo/TSF (a 20 de maio último), quando disse "não podemos ser complacentes". O presidente do Lloyds Bank referia-se ao facto de o crescimento do produto interno bruto ter melhorado no primeiro trimestre não ser um ponto de chegada mas sim de partida. Segundo o banqueiro, o valor atingido (2,8% homólogo) é motivo para festejar, mas é também motivo para voltar ao trabalho, até porque celebrar uma vitória e depois ficar a dormir à sombra da bananeira é meio caminho andado para o declínio.
O banqueiro vem amanhã, quinta-feira, a Lisboa para participar num almoço que assinala o encerramento da comemoração dos 180 anos de atividade da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. À mesa falará deste e de outros temas com que está preocupado. Alguns dos assuntos são os mesmos que preocupam Katainen. Aliás, o responsável europeu alertou para mais "desafios" que persistem em Portugal: "A elevada dívida pública, que temos incentivado os governantes a "continuarem a reduzir", até porque uma dívida pública elevada é uma "grande desvantagem".
Katainen defendeu, tal como fez o banqueiro, que é altura de trabalhar afincadamente e não ser complacente, e sublinhou que "é quando a economia está a crescer que deve ser feita a redução da dívida pública". Sobre a taxa de desemprego em Portugal, Katainen reconheceu ser ainda "muito elevada", mas lembrou que o aumento das exportações pode aumentar mais o número de postos de trabalho.
Em termos de investimento, Portugal está em quarto lugar na lista de Estados membros com maior mobilização de financiamento ao abrigo do Plano Juncker face ao PIB, e segundo Katainen essa é uma boa notícia. Mas "ainda não há espaço para nenhuma complacência".

Diretora do Dinheiro Vivo

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt