Onde foi parar a mítica magia da Apple?

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Quando Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone, em junho de 2007, afirmou que o aparelho estava "cinco anos à frente do seu tempo". Seria um exagero (típico da personalidade de quem pouco depois viria a garantir que o iPad iria "revolucionar o mundo"), mas não estava muito longe da verdade. Nove anos volvidos, o iPhone continua hoje a ser o smartphone com que "comparamos todos os outros" - nisso Tim Cook, o presidente da empresa, teve esta quarta-feira razão. Mas após a apresentação do 7, só mesmo os mais fervorosos fãs não ficarão com a sensação de que a Apple já não é capaz da "magia" (outra expressão de Jobs) de outrora.

Sejamos justos: é cada vez mais difícil tirar quaisquer coelhos seja de que cartola for. As fugas de informação que o iPhone 7 teve - tal como o Apple Watch, diga-se - foram tantas que não havia praticamente nada que já não se soubesse. Até o facto de os novos telefones serem à prova de água, algo inédito na família iPhone, já tinha sido noticiado.

Isto não justifica, no entanto, a noção de déjà vu relativamente a quase tudo o que vimos esta quarta-feira. Só com boa vontade se encontra nos novos iPhone7 e iPhone 7 Plus algo que já não existe na concorrência. A câmara dupla do 7 Plus? HTC, LG e Huawei fazem disso há pelo menos um ano. Os 12 megabits de sensor da câmara? O Microsoft Lumia 950 tem 20. A resolução de 1920x1080 do ecrã do Plus? O Samsung Galaxy Note 7 faz 2560x1440. Único mesmo é a remoção da entrada para auscultadores, uma opção por alguma razão descrita pelo vice-presidente da Apple, Phil Schiller, como "corajosa".

(O site especializado The Verge fez logo um comparativo de características com alguns smartphones Android de topo. Veja aqui.)

Nem o design é bem novidade. O 7 é objetivamente semelhante ao iPhone 6s. Tanto que o grande destaque na apresentação desta quarta-feira foi o novo acabamento em preto polido, apelidado de Jet Black, que teve direito a vídeo e tudo. Aliás, quando uma empresa de tecnologia apresenta um produto anunciando "dez novidades" e põe em primeiro lugar a cor e o polimento (há também em versão preto mate, a que a Apple chamou... Black) e deixa para último o novo processador - 240 vezes mais rápido do que o tal que Jobs mostrou ao mundo há 12 anos - alguma coisa falta na sua capacidade de inovação.

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