Centeno tardio e desastrado

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Mário Centeno não é um político e não fez o que fez hoje por sua exclusiva iniciativa. Ao dar conta de tudo o que conversou com o primeiro-ministro e o Presidente da República, Centeno também nos revelou que a conferência de imprensa de hoje foi acertada com António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa. O ministro das Finanças deu hoje uma conferência de imprensa, ladeado pelos seus secretários de Estado, que chega com pelo menos três meses de atraso.

O que é certo em política é que os ministros não colocam o seu lugar à disposição do chefe do governo, porque essa é a natureza do cargo. Dizer que lembrou esse facto ao primeiro-ministro revela que o ministro se sentiu em situação de fragilidade. Porque, como admitiu na conversa desta tarde, se criou de facto uma expectativa junto da administração da Caixa de que não seria necessário entregar a declaração de rendimentos e património no Tribunal Constitucional.

A forma como Mário Centeno tentou, e não parece ter conseguido, convencer os jornalistas que lhe fizeram perguntas mostra igualmente que o governo deixou o seu ministro das Finanças entregue a si próprio. As perguntas recolocadas já depois das respostas dadas, mostram que o ministro das Finanças não foi capaz de convencer quem o questionava. Se o assunto não morre aqui, é aqui que nasce um verdadeiro problema para António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa. Depois de momento tão solene, já não há segunda oportunidade para acabar com a polémica. O que fazer se Mário Centeno continuar a ser frito em lume brando?

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