Má política, boa política

Sem embandeirar em arco, como diz Marcelo, a manter-se o ritmo de crescimento económico, será este mais um empurrão aos candidatos do PS às autárquicas para que ganhem as eleições sem espinhas. Os reforçados argumentos nacionais vão pesar nas suas campanhas locais.

E a consolidar-se nos dois próximos anos - as variáveis são muitas para saber a esta distância se isso é possível, mas o que parecia improvável está a acontecer -, António Costa começará a sonhar com a possibilidade de uma maioria absoluta em 2019, ano de legislativas.

O PSD andou oscilante entre a versão inicial de que a estratégia do governo socialista, apoiado pela esquerda, nos ia conduzir à desgraça e a mais recente de que esta evolução positiva se deve às reformas do executivo anterior. Nem a primeira se revelou verdade nem a segunda é totalmente mentira.

As reversões aconteceram, sobretudo ao nível da reposição de rendimentos e dos direitos laborais, mas não nos desviaram (como até reforçaram) da trajetória de crescimento que se começou a desenhar no final da era Passos e Portas.

Mas as coisas são o que são. Em política, o que uns começam outros apanham, ora com os estragos da má política ora com os lucros da boa política. Foi isso que também aconteceu com Cavaco Silva e sua década de ouro, veio após a saída da profunda crise financeira de 1983, gerida pelo governo liderado por Mário Soares.

O crescimento económico, a diminuição do desemprego e até o aumento de rendimento das famílias atabafa(rá) completamente esse discurso do PSD de que pôs o país nos eixos. Ninguém quer saber o que foi, como foi, mas apenas de que malha é tecida a sua vida no presente e no futuro. A memória dos eleitores é sempre curta.

O país está a melhorar, todos o reconhecem, mesmo que o Presidente da República coloque algumas nuvens a tapar o sol esplendoroso de Costa, mas os partidos à direita, em particular o PSD, ainda têm muito por onde explorar politicamente sem ser pelo discurso estafado do "nós fizemos", "nós conseguimos".

Entre outras coisas, pedir o investimento público, todo o investimento público, no combate aos mais carenciados. Foram ainda mais de 2,5 milhões de pessoas em Portugal, uma grande maioria de crianças e de idosos, que se encontravam (encontram) em risco de pobreza ou de exclusão social em 2016. Sendo menos que nos anos anteriores, representam ainda um batalhão e a nossa vergonha. E não têm agremiações ou sindicatos a bater-se por eles nas ruas ou a fazer ameaças de greve.

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