As eleições americanas estão a destruir anos e anos de educação. Uma pessoa em casa tenta explicar aos miúdos o que é ser conservador, quem foi Reagan, Thatcher, Sá Carneiro, vá. Mostramos filmes, recomendamos livros, contamos histórias. Percebemos o quanto eles são novos e nós velhos quando perguntam se a queda do Muro foi antes ou depois do 25 de Abril ou quem é Freitas do Amaral. Mas resistimos. E vamos a De Gaulle para chegar a Jean Monnet, a Kennedy para explicar a descolonização, ao Império Otomano, meu Deus, para contextualizar o caos do Médio Oriente. De caminho exaltamos os princípios do mundo livre do Ocidente, a génese das raízes judaico-cristãs e esforçamo-nos que nenhuma pergunta fique sem resposta para que a miudagem não se deixe enganar por populismos desonestos vindos da esquerda e da direita. E por fim, estoirados, contamos onde estávamos no dia em que o Muro caiu para emprestar a credibilidade que o "eu vi" dá a qualquer história. Mas bem que podemos falar que eles não percebem. É abstração a mais. Para os miúdos toda esta conversa vale zero. Para eles, líderes como aqueles que víamos na televisão, são pré-história ou, na melhor das hipóteses, são conversa de mãe saudosista - coitada. E porquê? Os nossos filhos têm Trump em vez de Reagan ou mesmo de Bush, têm Boris Johnson em vez de Thatcher, Le Pen em vez de Mitterrand e até o fato de treino de Hugo Chávez em vez da farda de Fidel Castro. Da esquerda à direita, os nossos filhos não têm referências, têm humor negro. Os políticos concorrem com a FOX Comedy e ganham. Ora, perante isto é quase impossível explicar o que é um conservador ou um democrata honesto quando aquilo que lhes aparece no YouTube são as enormidades de Trump e as aldrabices de Clinton. Em termos de referências políticas os meus filhos votam em Jimmy Fallon ou nos Simpson. Se Trump não trouxer mais nenhuma tragédia ao mundo pelo menos já deixou esta: ser conservador é hoje sinónimo de palhaço para as novas gerações.