Clubes, juízes e jogo rasteiro

Nas eleições autárquicas, a mesma atitude pouco cívica de dois grupos privilegiados. A Liga do futebol profissional marcou vários jogos para o dia em que os cidadãos vão votar pelas suas cidades e aldeias. Seria de esperar de clubes beneficiando do estatuto de interesse público que não distraíssem os eleitores da sua obrigação. Mas, não, os jogos serão feitos. Diz a Liga, manhosa, estar "convicta de que os portugueses têm plena noção dos seus deveres e responsabilidades cívicas". E acrescenta a Liga, sonsa: "Razão pela qual a lei não prevê qualquer proibição de atividades desportivas em datas eleitorais." Como se a Liga não devesse concluir que talvez não haja proibição legal porque se pensou que lidava com gente responsável. Pelos vistos, pensou-se e mal: estava-se a lidar com a Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Quem faz as leis que tire as devidas conclusões... E por falar em leis, dos juízes que a aplicam, outra atitude incivil. Vão fazer uma greve que prejudica as eleições. Diz o sindicato deles, sorna: "Não vai haver nenhuma perturbação muito sensível..." Haverá, então, alguma e talvez pouco sensível. Quanto? Diz o sindicato, finório, que a greve "apenas implicará o adiamento por um dia" de uma qualquer pouca coisa. Um dia só e pouco, pois. Mas muito para os únicos profissionais que são independentes de tudo e inamovíveis e com o poder de decisão acima de qualquer autoridade. Têm o absoluto, esperava-se deles o mesmo.

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