Basicamente estamos tramados

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A notícia veio no Le Monde, a mais importante do dia, mas foi remetida para uma página interior, sem chamada na capa. Pinças num assunto sensível. Um think tank que estuda a coesão social, L'Institut Montaigne, fez a primeira grande radiografia da população muçulmana francesa. Nos extremos, o estudo definiu um grupo maioritário (46%) de "maioria silenciosa" - com prática religiosa frequente "mas sem conflito maior com a sociedade francesa" - e um grupo de 28% "atraída pelo fundamentalismo religioso". Um dado importante do estudo é a radicalização dos mais jovens. Nos com mais de 40 anos, oito em dez são contra o uso do niqab mas, nos com menos de 25 anos, o uso do véu integral cobrindo a cara com exceção dos olhos é defendido por 40%. De notar que os jovens entre 15 e 25 anos correspondem já a 10% da população francesa dessa idade. E são eles que dão dinâmica ao tal grupo de mais de um quarto dos muçulmanos, atrás definido como radical. Contestando a laicidade, eles consideram que a fé não pertence à esfera privada e deve ser exposta nos lugares públicos e de trabalho. O Institut Montaigne propõe combater essa "clara oposição aos valores da República" com aulas de árabe. Como a procura dessa língua é grande, o Estado devia fazer concorrência, diz o estudo, às escolas corânicas quase monopolistas desse ensino. Por outro lado, o estudo não refere (ainda) a oferta pública de niqabs em tecido progressivamente mais transparente.

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