Amigos e admiradores. E nós: obrigado

Dois notáveis testemunhos sobre Mário Soares, hoje no DN. O primeiro é para ser lido numa elipse da história, da campanha presidencial de 1986 para, hoje, este texto de Freitas do Amaral. Aquela campanha foi rude. Nas ruas, a esquerda fazia da direita o regresso da Outra Senhora; e, do outro lado, os loden, os sobretudos verdes dos freitistas, eram a vontade, e expressão vestida, do direito da direita à diferença. O debate entre os protagonistas pode ser resumido na frase assassina de Soares sobre Freitas, do debate televisivo e decisivo: "Reconheço que é um democrata mas ele tem de reconhecer que não fez nada pela democracia." E, hoje, lemos no texto sentido de Freitas, um amigo e um admirador, isto: "Soares não fez de nós socialistas; mas tornou-nos a todos melhores democratas." Na verdade a elipse é mais longa, é de 1974 a 2017, e nós que tanto nos queixamos de líderes podemos ver, na viagem dos dois amigos, um caminho político que foi feito andando. O segundo texto é de outro amigo e admirador de Soares, Jean Daniel, grande jornalista francês. Jean Daniel, fundador do Nouvel Observateur, conheceu Soares no exílio parisiense deste: "Foi amor à primeira vista", escreve hoje. Mas não foi, os bons espíritos não se encontram por acaso. A revista Le Nouvel Observateur sucedeu ao France Observateur, em que na primeira metade dos anos 50 o leitor Soares se formara como democrata e europeu. O caminho faz-se andando, mas só anda quem quer.

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