2017, ano da homossexualidade obrigatória

Soube-o aqui em primeira mão. Em 2017, vai ser obrigatório ser homossexual. Isso ao mesmo tempo que vai ser proibido dizer certas palavras - e compreenda que não as diga aqui porque já começou o novo ano e não quero ir presa ou que o DN seja encerrado por ordem do tribunal.

Como é que isto aconteceu? Ainda por cima, como é que aconteceu num país onde ainda em 2014 as e os homossexuais estavam impedidos de, em casal, adotar crianças, até 2009 eram proibidos de casar, até 2007 eram alvo de um tipo criminal especial - atos homossexuais com adolescentes -, até 1999 estavam classificados como "invertidos" e "anormais sexuais" na lista de incapacidades das Forças Armadas e até 1982 tipificados como criminosos? Quem é que podia adivinhar que, em tão pouco tempo, subjugariam a maioria heterossexual, obrigando-a a converter-se? Que pais rejeitariam os filhos por serem heterossexuais ou os levariam a psicólogos para convencê-los a aderir à homossexualidade?

Começou tudo de forma aparentemente inocente. Primeiro vieram dizer que eram discriminados e que era preciso mudar as leis. As boas gentes resistiram muito no início, mas lá foram sendo convencidas: realmente, por que motivo é que se havia de discriminar e perseguir alguém por amar ou desejar pessoas do mesmo sexo em vez de pessoas de sexo diferente? Ainda por cima parecia que acabar com as discriminações não prejudicava ninguém. O que custou mais foi deixá-los adotar crianças e recorrer à procriação assistida, mas como os estudos científicos certificam que os petizes não ficam com problemas e que há imensos países onde casais de homossexuais adotam e geram a sua prole há décadas sem apocalipse nenhum, pronto.

Depois, não contentes com a igualdade na lei, deram em dizer que ainda não chegava, que queriam ser respeitados, que estavam fartos de ser insultados e achincalhados, e que havia palavras que não suportavam, ameaçando ir para o Facebook fazer peixeirada.

Aí houve quem começasse a desconfiar: então agora queriam coartar a liberdade das pessoas de exprimirem o seu desgosto, nojo e estranheza com a homossexualidade, ou de fazer piadas com uma coisa tão cómica? Ia-se fazer piadas com quê, então? Com pessoas normais? Quem é que se iria rir disso? Toda a gente sabe que o que tem graça é fazer pouco de quem está em situação de inferioridade ou de menos poder, dos indivíduos ou grupos com os quais a maioria não se identifica. Qual a graça de fazer pouco de homens hetero brancos de classe média, por exemplo? Nem há expressões específicas para os designar, quanto mais.

Perante mais esta exigência dos homossexuais, alguns, mais avisados, denunciaram o advento da "censura" e o perigo da "ditadura". Aliás diga-se, em nome da justiça, que muitos dos que lançaram esse alerta andam há anos a dizer o mesmo (e pouco mais): que os homossexuais, em aliança com as feministas (e outros movimentos alegadamente "pela igualdade") têm um plano maquiavélico para destruir a sociedade tal como a conhecemos. Infelizmente, ninguém levou essas pessoas a sério. Até lhes chamaram fundamentalistas, imagine-se, fazendo delas motivo de chacota. Nem o facto de haver humoristas de renome a clamar contra a perseguição e o escorraçar de certas palavras, coitadas, que não sendo mais que palavras também têm direito à vida, serviu para impedir o desastre. Devíamos ter-lhes dado ouvidos. E levado a sério os visionários que, no Facebook, Twitter e caixas de comentários de jornais, vaticinaram que "eles só ficam satisfeitos quando formos todos homossexuais". É para aprendermos a não ser boas pessoas.

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