Uma seleção ainda em obras profundas

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Passei os últimos dias a ler todas as teorias sobre a seleção. Como seria o primeiro jogo? O que estava em causa? Quais as dúvidas e quem eram os futebolistas nucleares? De tudo o que li e ouvi, fiquei convencido de que o nó do problema era a utilização ou não de Quaresma no jogo com os islandeses. Tudo o resto estava consolidado. Futebol é entusiasmo e claramente não havia quem não se tivesse deixado contagiar pelos jogos feitos pelo extremo e pela dupla mortífera que ele prometia repetir ao lado de Ronaldo. Mesmo os comentadores mais experimentados - que em tese deveriam ser menos volúveis - convergiram para esta questão: Ronaldo e Quaresma outra vez juntos e com o acelerador a fundo, numa espécie de regresso aos verdes anos, era o que bastava para ganhar - o resto viria atrás. Não quero ser romanesco, mas o regresso desta dupla era uma história demasiado boa para não consumir todas as atenções. E na verdade consumiu, até começar o jogo com a Islândia, porque depois a história passou a ser outra. É verdade que Quaresma não jogou os 90 minutos, mas não foi por aí que Portugal caiu. Nani até foi dos melhores, marcou um golo. Foi no meio-campo que se notou o atraso da preparação portuguesa ao ponto de muito (demasiado) poder mudar no próximo jogo. Danilo pode sair, Moutinho pode sair, João Mário pode sair (embora seja mais improvável). Até o lateral direito, Vieirinha, pode sair, além de Nani também poder sair para ceder o lugar ao mítico Quaresma. Isto é, mais de 40% da equipa está em risco ao fim de apenas 90 minutos. Apesar de ter havido uma fase de qualificação que durou mais de dois anos, Portugal ainda está em obras profundas, Fernando Santos não sabe bem como resolver o problema que existe desde que Deco e Rui Costa se reformaram: pode uma seleção como a portuguesa, que tem no toque de bola a sua força, jogar sem um patrão no meio-campo? Pode?

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