Um novo líder para a Europa?

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Para o bem (segundo uns) e para o mal (dizem outros), Angela Merkel tem sido a líder da Europa. E todos os concorrentes, vindos sobretudo da esquerda, fracassaram na tentativa de lhe fazerem frente, quanto mais de a substituírem. O presidente francês, François Hollande, é o exemplo mais evidente dessa incapacidade, ele que nem sequer será o candidato socialista nas eleições que vão ter a primeira volta em finais de abril.

Curioso é que seja agora outro alemão que, vindo da esquerda, parece capaz não só de desafiar a chanceler Merkel como de impedir até a sua quarta vitória eleitoral consecutiva. É certo que Martin Schulz, ainda quando presidia ao Parlamento Europeu, por várias vezes surgiu como uma espécie de crítico da ortodoxia financeira defendida pela chanceler, mas só o facto de o seu partido ser parceiro da coligação no poder em Berlim bastava para limitar esse efeito.

Agora, Schulz surge como o candidato social-democrata a chanceler, com as sondagens a darem-lhe hipóteses sérias de derrotar a democrata-cristã, no poder desde 2005 e reeleita em 2009 e 2013. E a verdade é que a geografia eleitoral dá várias possibilidades de êxito ao antigo livreiro frente à cientista: se o SPD tiver mais votos do que a CDU-CSU pode propor uma renovação da Grande Coligação mas com as posições invertidas e Merkel de fora; se os sociais-democratas perderem por pouco para os democratas-cristãos podem tentar uma coligação que inclua verdes e liberais ou, situação inédita, os verdes e os pós-comunistas.

Contudo, mesmo que Schulz derrote Merkel na Alemanha em setembro não é evidente que tenha carisma para se assumir como o novo líder da Europa. Ser o chanceler alemão ajuda muito, mas só por si não chega. Será preciso ter em conta também o perfil do vencedor das presidenciais francesas. Se Emmanuel Macron, um ex-ministro socialista que não conta com o apoio oficial do partido, derrotar a direita na primeira volta e a extrema-direita na segunda (em maio), talvez seja capaz de assumir também uma candidatura a novo líder desta Europa em busca de sentido.

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