Até aos atentados de 11 de março de 2004, que mataram 191 pessoas em Madrid, a luta antiterrorista em Espanha tinha como alvo os separatistas bascos da ETA. Depois foi preciso adaptar toda a estrutura de espionagem, infiltração, partilha de informações e etc. ao combate ao jihadismo inspirado naquela época pela Al-Qaeda, hoje também pelo Estado Islâmico..Digamos que foi bem feita essa transição do combate aos etarras (entretanto derrotados e com um processo de pacificação em curso) para o combate aos chamados loucos do islão. São comuns as notícias de redes jihadistas desmanteladas ou de atentados anulados ainda na fase preparatória. Mas como dizia há tempos em entrevista ao DN Fernando Reinares, o maior perito espanhol em contraterrorismo, é difícil garantir 100% de sucesso numa situação deste género..Ontem, o terror voltou a Espanha. Agora a Barcelona. Em vez de bombas, carros assassinos, como já aconteceu em Nice, Berlim e Londres. Sabe-se que o Estado Islâmico tem uma obsessão com o Al-Andaluz, o período de domínio muçulmano da Península Ibérica, mas ao apelar a este tipo de ataques nunca se aproximará da reconquista desejada, apenas prejudica o mais de um milhão de muçulmanos que vivem em Espanha, muitos deles na Catalunha, onde na sua esmagadora maioria chegaram como imigrantes em busca de uma vida melhor..Voltando a Reinares, do Instituto Elcano, diz ele que contra o jihadismo a fórmula possível é contrariar a sua capacidade mortífera por via da ação das polícias, apostar na prevenção da radicalização e melhorar a partilha de informação entre os países para melhor enfrentar as ameaças vindas de fora. E, acrescento, não ceder nunca ao medo e à tentação da islamofobia numa guerra que se adivinha longa. Até porque agora foi Espanha, com a qual temos de estar solidários, amanhã quem sabe?