A vida é o que é e, provavelmente, o negócio do Novo Banco não poderia ser feito de outra maneira. O que fica claro, no entanto, é que o Fundo de Resolução não vai receber nada e fica a ver voar milhares de milhões de euros. Como podem os outros bancos ficar satisfeitos? Não podem!.Na semana passada, antecipando este desfecho, o Estado também tratou de facilitar a vida a esses bancos, reduzindo os juros a pagar pelos 3,9 mil milhões que emprestou ao Fundo de Resolução e passando para 30 anos o prazo para amortizar a dívida. Já tinha sido de três e depois de 20 anos..O Estado, na verdade, receberá 250 milhões de euros mas terá de os devolver de imediato para acompanhar o aumento de capital. São 25% do capital que os bancos, através do Fundo de Resolução, esperam que ainda lhes venha a reduzir a fatura..Há um historial muito grande de decisões que o Estado assumiu e que geraram grande contestação. A litigância nos tribunais vai prolongar-se no tempo e as faturas podem chegar. Este é um risco que só o Estado pode assumir, cada processo ganho em tribunal contra o Novo Banco não custará um euro à Lone Star, nem ao Fundo de Resolução..Tudo o que houver para pagar, se houver para pagar, serão os contribuintes que o vão fazer. Dois mil milhões de euros em obrigações seniores que ficaram no Novo Banco e depois foram atirados para o BES mau pelo Banco de Portugal. Há também os mais de 800 milhões que o Goldman Sachs emprestou ao BES, dias antes do colapso, e que os norte-americanos querem que seja o Novo Banco a pagar. Não faltarão processos nos tribunais e muitos dos lesados do BES não chegarão a acordo..Mil vezes se escreveu que não se podia esperar por um final feliz neste processo, mas ele não termina agora com a venda parcial (75%) ao fundo Lone Star. Para nós todos, contribuintes, o risco continua a existir. Está na litigância e está igualmente nos 3,9 mil milhões que emprestámos ao Fundo de Resolução. Daqui a 30 anos, serão pagos?