É política, erro estatístico ou?...

A notícia avançada ontem pelo jornal Público é uma bomba. O DN dará o seu contributo para que tudo fique muito claro, faremos todas as perguntas que entendermos necessárias para saber como foi possível, para saber quem são as entidades, empresas ou contribuintes que despacharam dez mil milhões em apenas 20 operações. Como é que ordens de transferência médias de 500 milhões de euros não fizeram tocar todas as campainhas na Autoridade Tributária e Aduaneira? Alguém deu ordens para que se deixasse passar tanto dinheiro sem fazer perguntas? Foi apenas descuido? Queremos saber se ficaram impostos por pagar.

Pode acontecer, como admite fonte do próprio governo, que não haja nenhuma fuga ao fisco, nem outro tipo qualquer de ilegalidade. Queremos saber. Também importa que se explique o que determinou a não publicação das estatísticas referentes aos anos em causa.

Não vivemos de teorias da conspiração e não juntamos dois mais dois à espera que dê quatro, porque em matérias tão sensíveis um pormenor faz a diferença.

O que sabemos é que a notícia implica o anterior secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, e aproveita politicamente ao atual governo. Sabemos igualmente, porque o Ministério das Finanças o confirmou ao Público, "que as divergências e as "omissões" foram detetadas entre finais de 2015 e início de 2016". Sabemos ainda, porque o Público nos informou, que na atualização do final do ano já lá estavam as discrepâncias face aos valores publicitados em abril. E sabemos que o governo confirmou agora a notícia, num momento em que o Ministério das Finanças vive numa grande fragilidade política. Mas isto já é teoria da conspiração, juntar dois mais dois à espera que dê quatro.

Bom é que toda a gente se explique rapidamente, bom é que haja total transparência e que o governo informe rapidamente sobre o que verdadeiramente se passou. Ou cada um de nós vai construir a sua verdade alternativa. E depois todos se podem queixar de que o mundo está perdido.

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