Das coisas dos mais pequenos

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1. Parece óbvio mas para muitos pais não o é, por isso é bom ouvi-lo dos médicos: as crianças precisam de brincar. E isso passa por deixá-las andar à solta, sujar-se, esfolar os joelhos, fazer legos, imaginar-se em diferentes vidas, realizáveis ou de pura fantasia. Uma tarde colados ao ecrã - da televisão, do smartphone, do tablet - pode ser muito confortável para os pais mas não ajuda a que os miúdos se desenvolvam em todo o seu potencial, testem limites, aprendam o que é bom e mau, o que está certo e errado. E encher-lhes os tempos livres com atividades, com a desculpa de que eles "gostam tanto das aulas de ténis, de dança, de teatro, de surf e é ótimo porque nessas horas estão ao ar livre e supervisionados", não é um bom princípio. É excelente que as crianças aprendam muitas coisas diferentes, mas na hora de brincar deve haver total liberdade - dentro dos limites óbvios do bom senso. Os miúdos precisam de ter tempos livres, mesmo livres. Porque só assim são felizes, dizem os especialistas, porque é a melhor forma de aprenderem a socializar, porque só assim é devidamente estimulada a imaginação, porque essa é a melhor forma de testarem, errarem e aprenderem a maneira certa de fazer muitas coisas.

2. Se a proposta do governo for para a frente, as escolas vão passar a ser geridas pelas autarquias onde estão inseridas. O que significa que passam a ser as câmaras a decidir sobre temas como obras, ação social, funcionários, refeições, etc. O resultado pode ser excelente: aproximar os centros de decisão facilita o diagnóstico de problemas e a procura de soluções adaptadas a cada realidade. Um autarca conhece certamente melhor as necessidades das escolas das suas freguesias do que quem se senta a quilómetros de distância, num gabinete supervisionado pelo ministro da Educação. Hoje os processos públicos são mais transparentes, mas é preciso garantir que esta proximidade não traz uma cauda de compadrios, favores e pecadilhos. A prioridade absoluta tem de ser um ensino de qualidade e o bem-estar das crianças. Onde quer que fique a escola onde estão a aprender.

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