Andar para a frente

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Os portugueses andam às compras. Basta andar na rua para o confirmar: o trânsito ainda mais caótico, as filas para os parques de estacionamento de centros comerciais, a multidão compacta de sacos nas mãos a encher as ruas onde há lojas. E se a visão não chega para o atestar para além de qualquer dúvida, há os números. Um estudo do IPAM divulgado ontem revela que estamos a fazer compras com uma generosidade só comparável aos anos anteriores à crise financeira. Há seis anos que não se gastava tanto em compras de Natal. E isso é bom. Pode mesmo ser aquilo que dará algum fôlego às contas neste ano. É que, apesar de o consumo manter alguma força, o investimento teima em não dar sinais de vida e o índice de atividade económica está de novo em queda, arrastando consigo o ciclo de retoma da confiança, que estava em recuperação desde o início do ano - orgulho do ministro das Finanças. Mesmo depois de um ano de reposição de rendimentos e com o governo a apostar em todo o tipo de medidas para dar força ao consumo privado, os indicadores económicos apontam para nova estagnação da economia. Razão mais do que suficiente para o Presidente Marcelo se mostrar preocupado e lançar o alerta: Portugal tem de encontrar forma de crescer com mais pujança e solidez, para garantir a sustentabilidade do rigor orçamental nos anos próximos. Pouco importa se o estado da Europa não ajuda quando é claro que voltámos a divergir da média dos países da União Europeia - uma evolução de 1,9% face ao terceiro trimestre do ano passado, contra os 1,6% portugueses, o sexto pior desempenho do grupo. E bem podemos agradecer os recordes consecutivos no turismo - em dez meses, o setor trouxe tanto dinheiro ao país como em todo o último ano -, que têm sido fundamentais para manter algum ritmo. É, por isso, urgente encontrar caminhos que levem a um crescimento real e sustentado da economia. O país não resistirá a mais um ciclo de estagnação.

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