Criar emprego e gerar riqueza são prioridades absolutas para Portugal. E só é possível atingir sustentadamente esse objetivo com investimento privado. O Estado tem pouca margem até para se sustentar, obrigado que está a cortar despesa para cumprir a promessa de um défice nos 2,6% no próximo ano, com menos receita fiscal e apostando nos estímulos ao consumo interno. Certamente não pode repetir o vigoroso - e artificial - empurrão que deu à economia sob a forma de grandes obras públicas e parcerias público-privadas que em décadas anteriores alimentaram muitas empresas e ajudaram a criar emprego. E não vai ser fácil recuperar, nem que seja uma parte do investimento perdido desde 2007 - ou ainda antes, desde 2000. Mesmo com a nova bolsa de oxigénio garantida ontem por Mario Draghi, as notícias que chegam de fora não são boas: o crescimento na Europa demora a arrancar, os investidores continuam a desconfiar da saúde da economia portuguesa, as bolsas andam aos solavancos, ao ritmo das réplicas do terramoto financeiro de 2008. E cá dentro o panorama não é melhor. Os bancos mantêm as portas do crédito apenas entreabertas, sobretudo quando do outro lado estão pequenas e médias empresas (que são mais de 90% do nosso tecido empresarial). A dívida das companhias continua a ser muito alta e o regime fiscal demasiado instável. E apesar de o IVA estar outra vez a caminho dos 13%, o Orçamento para 2016 confirma a taxa de IRC nos 21%, num ano em que o salário mínimo sobe e há menos dias de trabalho. Draghi vai lembrando sempre que pode que está ali à disposição a linha de crédito do BCE para ajudar os bancos a financiar empresas, mas não é fácil convencê-los a abrir a carteira enquanto há riscos no sistema financeiro. Como não o é captar investidores enquanto não sentirem que é seguro trazer o seu dinheiro para Portugal. É nisso que é urgente trabalhar: só com confiança há investimento. E só com investimento há emprego e crescimento.