Negócio da China

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Em pouco mais de 150 dias, companhias chinesas, muitas delas participadas pelo Estado, compraram 122 empresas europeias. Refreado o entusiasmo pela dívida norte-americana - ainda que continue a ser o maior credor dos Estados Unidos, com 1,3 biliões de dólares (mais de um bilião de euros), Pequim tem vindo aos poucos a reduzir este investimento. E a virar o seu interesse para a Europa. No ano passado, foram perto de 35 mil milhões de euros que entraram - mais do que os 1,6 mil milhões de dívida americana vendida. Para uma União Europeia a crescer a um ritmo débil, o investimento de uma economia que deverá expandir-se mais de 6% nos próximos três anos é uma boia que pode ajudar o continente a manter-se à tona da água. Mas há riscos em agarrar esta oportunidade com demasiada força, sobretudo quando o Estado chinês tem um pé nos maiores negócios - e Angela Merkel, que governa o país-destino de um quinto do investimento de Pequim nestes seis meses, já se apercebeu disso. Além dos desequilíbrios de mercado decorrentes de empresas privadas estarem a concorrer com companhias semipúblicas, pôr todos os ovos no mesmo cesto nunca foi uma boa ideia. E este fulgor asiático pode não durar para sempre - quando abrandar, o que acontece à economia europeia se muitas das grandes companhias de países europeus estiverem depositadas em mãos chinesas? Há ainda outra questão: ainda que Pequim esteja a crescer bem mais do que qualquer país da União Europeia, o ritmo está a abrandar e o país tem em curso uma série de reformas que precisam de ser cumpridas para transformar a economia segundo os parâmetros mundiais. Por outro lado, a China está muito pressionada para tomar medidas de controlo da dívida dos governos locais, que têm aumentado significativamente nos últimos anos. Desafios que obrigam a alguma cautela quando se olha para o investimento chinês. O interesse é bem vindo, mas requer ponderação.

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