Traçar as linhas gerais para o que devemos ensinar às próximas gerações. Foi este o trabalho encomendado pelo governo e para o qual o executante, Guilherme d"Oliveira Martins - que já fez trabalho semelhante na década de 1980 -, parte valorizando as premissas certas. A primeira delas é que há que mudar a forma como se ensina. A razão é simples: o mundo mudou radicalmente nos últimos 20 anos e a escola tem de acompanhar essa mudança ou corremos o risco de ter níveis de insucesso cada vez maiores - porque não conseguimos fazer que os miúdos se interessem - e os jovens adultos mais mal preparados de sempre. A especialização tem de ser compatibilizada com a interdisciplinaridade, a aprendizagem tem de ser assumida como um processo que não termina quando se inicia a vida profissional (a atualização de conhecimentos é cada vez mais obrigatória), as competências que é preciso assegurar aos miúdos têm de passar pela transmissão de métodos que lhes permitam procurar e somar sempre informação e conhecimento. E, absolutamente fundamental, a compreensão de que a educação não pode andar ao sabor de ciclos políticos - tem antes de partir de um compromisso alargado, o único caminho possível para não continuarmos a comprometer o futuro das nossas crianças e jovens. As baias estão postas no sítio e o trabalho tem tudo para dar certo. Mas há um segundo momento que é preciso começar a delinear já: a forma como se passará da teoria à prática. Com objetivos realistas, prazos definidos e responsabilidade. É preciso evitar a todo o custo que o estudo seja feito para meter na gaveta. Se a mudança não chegar a acontecer, se for atrasada ou acabar por se dobrar a convicções e partidarismos, de nada valerá o esforço. Estaremos a condenar mais uma geração à emigração, à falta de qualidade de vida, ao acomodamento possível. E pelo caminho a garantir mais umas décadas de atraso para o país.