Varoufakis volta à cena política com lançamento de partido pan-europeu

Varoufakis durante a apresentação do seu novo partido

Antigo ministro das Finanças grego apresentou em Berlim o Movimento para a Democracia na Europa 2025 (DiEM 25)

O ex-ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, regressou hoje ao palco político com o lançamento em Berlim de um movimento que, segundo o próprio, quer salvar uma Europa ameaçada pelo fantasma da desintegração devido à crise de refugiados.

Sete meses depois de renunciar ao cargo no governo de esquerda grego de Alexis Tsipras, o economista anti-austeridade, apresentou em Berlim o Movimento para a Democracia na Europa 2025 (DiEM 25), um partido pan-europeu que quer agir em prol da democracia e da transparência numa União Europeia (UE) fragilizada pela crise de refugiados.

"O arame farpado e os muros refletem a insegurança e não fazem mais do que espalhar a insegurança"

No lançamento do novo partido, Varoufakis criticou "o fracasso espetacular (dos 28 Estados-membros da UE) para lidar com a crise de refugiados de uma forma sensível e humanista, com a possível exceção de Angela Merkel", a chanceler alemã com quem se debateu durante o tempo em que liderou os frágeis cofres públicos da Grécia.

Segundo o responsável, citado pela agência noticiosa France Presse, a solução para gerir a chegada à Europa de centenas milhares de pessoas em fuga de guerras e da miséria "não é construir muros" ou "campos de concentração".

"O arame farpado e os muros refletem a insegurança e não fazem mais do que espalhar a insegurança", defendeu Yanis Varoufakis em conferência de imprensa num dos teatros mais conhecidos da Alemanha, o Volksbühne.

Varoufakis advertiu que "a desintegração da UE vai suscitar um colapso [democrático] que vai resultar de maneira terrível no mesmo que aconteceu nos anos trinta", com a chegada dos nazis ao poder na Alemanha.

"Movimento é aberto a todos os democratas liberais, socialistas, radicais e verdes"

O DiEM 25 pretende também acabar com "um processo opaco de decisão política" que, segundo Varoufakis, "visa impedir que os europeus exerçam um controlo democrático sobre o seu dinheiro, as suas finanças, as suas condições de trabalho e o meio ambiente", segundo o manifesto de fundação.

O movimento é "aberto a todos os democratas liberais, socialistas, radicais e verdes" na Europa, de acordo com o documento, e tem beneficiado de um apoio moderado da esquerda europeia.

O antigo ministro francês Arnaud Montebourg, cuja presença no lançamento do DiEM 25 tinha sido anunciada por Varoukafis, acabou por não viajar até Berlim.

Mas dois representantes europeus do partido de esquerda espanhol Podemos não faltaram e foram a Berlim, uma cidade escolhida porque "nada pode mudar" na Europa sem "a plena participação da Alemanha", de acordo com o antigo ministro grego.

DiEM 25 - uma referência à expressão latina 'carpe diem' (aproveite o dia) - acusou "o modelo de partidos nacionais que formam alianças frágeis no Parlamento Europeu" de ser obsoleto.

Varoufakis, 54 anos, não revelou se o movimento agora lançado conta apresentar candidatos às eleições europeias.

A nova plataforma defende a criação de uma assembleia constituinte para, até 2025, elaborar uma "constituição democrática que vai substituir todos os tratados existentes da UE", avançou.

E, em nome da transparência, o DiEM 25 quer que todas as reuniões de líderes da UE e do Banco Central Europeu (BCE) sejam publicadas e transmitidas na televisão.

Desde o seu afastamento do executivo grego, o ex-governante, cujo tom professoral não foi bem acolhido em Bruxelas, foi fazendo regularmente revelações sobre os episódios relativos às intermináveis negociações entre a Grécia e seus credores dos tempos em que foi ministro.

Qualificando o DiEM 25 como um projeto "absolutamente utópico", Varoufakis reconheceu que "pode muito bem falhar", mas acredita que não há alternativa para o futuro da Europa.

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