Trump vende armas a Riade e dança com espadas

Presidente dos EUA fala hoje de uma "visão pacífica" do islão num discurso diante de meia centena de líderes muçulmanos

O presidente norte-americano, Donald Trump, teve ontem uma calorosa receção em Riade, onde anunciou a assinatura de um acordo de 110 mil milhões de dólares para a venda de armas à Arábia Saudita - que pode chegar a 380 mil milhões nos próximos dez anos. À noite participou na tradicional dança ardah, com espadas, ao lado do rei Salman. A capital saudita é a primeira paragem de uma viagem de oito dias ao estrangeiro, que afastará o presidente da pressão de Washington, causada pela demissão do diretor do FBI, James Comey, e das suas alegadas ligações à Rússia.

Trump viaja acompanhado da mulher Melania e da filha Ivanka. Nenhuma delas usou véu apesar de, em janeiro de 2015, Trump ter criticado a então primeira-dama Michelle Obama por fazer o mesmo, considerando que ela "insultava" os anfitriões. As sauditas são obrigadas a cobrir o cabelo em público, mas tal não é obrigatório para as estrangeiras - a chanceler alemã, Angela Merkel, e a primeira-ministra britânica, Theresa May, já estiveram este ano na Arábia Saudita e também não usaram véu.

O Air Force One aterrou pouco antes das 10.00 locais em Riade, sendo o presidente e a primeira-dama recebidos à saída do avião pelo rei Salman, que apertou a mão a Trump e a Melania. "Damos as boas vindas ao presidente Trump (...) A sua visita vai reforçar a nossa cooperação estratégica, levar à segurança e estabilidade globais", escreveu o monarca em inglês no seu Twitter. Mais tarde, Salman condecorou o líder norte-americano com a medalha da Ordem do Rei Abdulaziz al-Saud, a mais alta honra civil. As ruas da capital estavam cheias de bandeiras dos dois países e de fotos de ambos os líderes com o slogan "Juntos triunfaremos".

O dia ficou marcado pela assinatura de um acordo de venda de armas dos EUA à Arábia Saudita no valor de 110 mil milhões de dólares - que pode chegar a 350 mil milhões no prazo de dez anos. "Um investimento tremendo nos EUA e a nossa comunidade militar está muito feliz", disse o presidente. "Centenas de milhões de dólares de investimentos nos EUA e empregos, empregos, empregos. Por isso gostaria de agradecer ao povo da Arábia Saudita", acrescentou, falando de um dia "tremendo".

Parte do acordo passa pelo investimento de seis mil milhões de dólares para a montagem, na Arábia Saudita, de 150 helicópteros Blackhawk, da Lockheed Martin, o que garantirá a criação de 450 empregos no reino. Riade é um dos maiores compradores de armas do mundo. O chefe da diplomacia saudita, Adel al-Jubeir, considerou que este é "o início do ponto de viragem" nas relações entre ambos os países, depois da tensão durante a presidência de Barack Obama.

Os contratos militares "visam apoiar a segurança a longo prazo da Arábia Saudita e da região do Golfo face às ameaças iranianas", disse um responsável da Casa Branca, citado pela agência AFP. O Irão (xiita), que ontem reelegeu o presidente moderado Hassan Rouhani, é o principal rival regional dos sauditas (sunitas). Hoje, o presidente fará um discurso diante meia centena de líderes de países muçulmanos onde falará da "esperança" para uma "visão pacífica" do islão.

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