Trump admite que Rússia está por detrás de pirataria informática

As relações do presidente eleito dos EUA com Moscovo marcaram a conferência de imprensa

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, admitiu que a Rússia é a responsável pelo ataque informático contra o Partido Democrata, durante a campanha eleitoral. As agências de segurança norte-americanas acusam Moscovo de ser responsável, mas o Kremlin nega qualquer ligação.

"Em relação à pirataria informática, acho que é a Rússia. Mas também somos alvo de pirataria de outros países e outras pessoas e posso dizer isso", afirmou Trump na conferência de imprensa, a primeira que dá depois da eleição presidencial.

Ao longo do encontro com jornalistas, apontou também o dedo à China, ao Japão e ao México, repetindo que muitos países o fazem porque os EUA estão vulneráveis. Explicou que 90 dias após tomar posse espera um relatório dos serviços de informação sobre o tema.

As questões sobre a Rússia marcaram a conferência de imprensa, que decorreu um dia depois de ter sido divulgada por alguns media norte-americanos a existência de um suposto dossiê comprometedor elaborado pelos russos contra Trump, para o poderem chantagear.

"Acho que é uma desgraça que essa informação tenha sido divulgada. São tudo notícias falsas. Isso não aconteceu. São coisas falsas. Foi um grupo de opositores que se juntaram, pessoas doentes, que o divulgaram", disse Trump, que acusou as agências de informação de estarem por detrás da divulgação de informação.

"Se Putin gasta de Donald Trump, considero isso positivo, não um problema", indicou o presidente eleito em relação ao presidente russo, Vladimir Putin.

Negócios entregues aos filhos

A conferência de imprensa tinha sido originalmente marcada para explicar de que forma os negócios de Trump vão ser geridos. O presidente eleito vai entregar a gestão das empresas aos filhos, Donald Jr. e Eric, construindo um "muro" à sua volta para se isolar dos negócios.

"Na realidade, eu podia gerir os meus negócios e o governo ao mesmo tempo. Não gosto de como isso pareceria, mas poderia fazê-lo caso quisesse", explicou, dizendo que não haveria qualquer conflito de interesses.

Daqui a oito anos, explicou, antevendo que terá dois mandatos na Casa Branca, regressará às empresas e se os filhos tiverem feito um mau trabalho dir-lhes-á: "Estão despedidos". Trump ganhou fama com o programa de televisão "O Aprendiz", sendo essa a sua frase chave no reality show.

Questionado novamente sobre as declarações de impostos (que não revela), Trump disse que só os jornalistas estão interessados, que o povo norte-americano não quer saber disso.

Obamacare, muro com o México e empregos

Lembrando que o Obamacare, o plano de saúde lançado pelo presidente Barack Obama, é "uma desgraça", Trump disse que vai acabar com ele, substituindo-o por um plano muito melhor.

Sobre o muro com o México - depois de corrigir o jornalista lembrando que "não é uma vedação, é um muro" - o presidente eleito explicou que vai mesmo avançar e que será o México a pagar. Para evitar esperar um ano e meio ou mais pelas negociações com os mexicanos, Trump diz que serão para já os norte-americanos a assumir os custos, mas que estes serão reembolsados pelo México.

Trump alertou as empresas que estejam a pensar deslocalizar para outros países e demitir funcionários nos EUA: "Vão pagar impostos enormes na fronteira." O presidente eleito disse que será o "maior produtor de emprego que Deus alguma vez criou".

Ataques aos jornalistas

Trump começou a conferência a agradecer aos jornalistas que não correram a publicar o "falso dossiê" sobre as suas alegadas ligações a Moscovo, mas também não poupou nos ataques. E não aceitou que o jornalista da CNN, estação de televisão que divulgou precisamente esse dossiê, fizesse qualquer pergunta, mandando-o calar.

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