Rajoy usa exemplo de Portugal contra aliança de esquerdas

Rajoy e Rivera reuniram-se numa sala neutra, no Congresso espanhol, com o quadro 'Jeu de Paume', de Antoni Tàpies, em fundo

Primeiro-ministro falou do aumento do prémio de risco português para alertar contra perigo de uma coligação entre PSOE, Podemos e nacionalistas. Hoje, reúne-se com Sánchez

Um governo de coligação entre os socialistas, o Podemos e os nacionalistas "é o pior que pode acontecer em Espanha nos próximos quatro anos", defendeu ontem o primeiro-ministro espanhol. Mariano Rajoy não hesitou em usar o exemplo de Portugal para falar dos malefícios de uma aliança de esquerdas, citando os dados que colocam o prémio de risco da dívida portuguesa acima dos 400 pontos. "É o pior que podia acontecer aos espanhóis", disse Rajoy no final do encontro com o presidente do Ciudadanos, Albert Rivera.

O primeiro-ministro é só mais um dos membros do governo em funções que, nos últimos dias, tem alertado para os riscos de uma eventual aliança entre o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, e o líder do Podemos, Pablo Iglesias. "Se vem um governo desta natureza, dizem-me, não meto um só euro em Espanha, não quero pôr em risco os meus investimentos como na Grécia ou em Portugal, isso é voltar à recessão e à precariedade", disse o ministro da Indústria, José Manuel Soria.

Acordo de governo

Rajoy continua a insistir numa solução de governo presidido por si, com o apoio do PSOE e Ciudadanos. Hoje, discutirá com Sánchez as propostas que apresentou ontem a Rivera e que se centram em cinco pilares: um pacto pelo crescimento e pelo emprego, outro pela reforma fiscal e o financiamento autonómico, um pacto para reforçar os pilares do Estado social, um quarto pela educação e, finalmente, um acordo para o fortalecimento institucional que incluiria um compromisso na defesa da unidade de Espanha.

"Unem-nos mais coisas do que as que nos separam, procuremos o consenso com responsabilidade", escreveu Rajoy no Twitter, partilhando uma foto do encontro com Rivera, que durou uma hora e 40 minutos. Nesta reunião, houve consenso em relação a pedir a Bruxelas a flexibilização dos objetivos do défice - uma exigência do Ciudadanos que o PSOE já inclui no programa de governo que apresentou na segunda-feira. A ideia é adiar por um ano, até 2017, a data para ter um défice público abaixo dos 3% do PIB.

"Propus a Rajoy defendermos juntos a flexibilização do défice para cumprir os objetivos sociais e económicos", afirmou Rivera, após a reunião com o primeiro-ministro. "Estou absolutamente convencido de que a União Europeia atuará com flexibilidade e inteligência em relação aos países com vontade de estabilidade orçamental. Se uma coisa que é preciso fazer num ano se puder fazer em dois, é mais cómodo", disse o primeiro-ministro.

Corrupção e Catalunha

"Disse a Rajoy que a corrupção é o segundo maior problema para os espanhóis e que o governo e o PP não fizeram o suficiente", disse Rivera. O PP está de novo envolto em escândalo, por causa da alegada corrupção em Valência. Ontem, a polícia fez também buscas na sede em Madrid, num caso que envolve um ex-gerente do partido. Na reunião no Congresso, à sombra do quadro Jeu de Paume, do pintor catalão Antoni Tàpies, Rajoy e Rivera também falaram da Catalunha. E concordaram que qualquer acordo tem de incluir uma referência explícita contra a realização de um referendo sobre a independência.

Apesar de querer apresentar-se como o mediador do diálogo entre PP e PSOE, Rivera deixou o alerta: "não posso fazer o trabalho de casa dos partidos porque já são grandinhos". E pediu "sentido de Estado" para desbloquear o imbróglio que resultou das eleições de 20 de dezembro, quando ninguém teve maioria. Sánchez está a negociar a investidura com o Ciudadanos mas quer também o apoio do Podemos - o problema é que os dois não querem sentar-se à mesma mesa.

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